Introdução

Gn 3: 9-15 / Sl 130, 1-8 / 2 Cor 4, 13 - 5, 1 / Mc 3: 20-35

Fazer a vontade de Deus para sermos o irmão, a irmã e a mãe de Cristo, isto é, para sermos semelhantes a Ele – este é o tema da Liturgia neste Décimo Domingo do Tempo Comum. “Fazer a vontade de Deus”, no entanto, pode se tornar um chavão, um lugar-comum, uma expressão esvaziada de seu sentido original se não prestarmos bastante atenção na mensagem que o Evangelho nos traz. O que seria, então, para Jesus, fazer a vontade de Deus?

Na passagem do Evangelho que vamos ouvir neste domingo, aparecem dois grupos distintos de pessoas em relação à questão do fazer a vontade de Deus: de um lado, os que se opõem a Jesus e preferem tecer mentiras para enganar a si próprios de modo que não tenham que empreender os grandes esforços requeridos pela conversão (no sentido de voltar-se para Deus, parar de pecar e fazer boas obras), e do outro lado, os que ouvem Jesus, os que sentam ao seu redor e se abrem a Ele e a à sua graça transformadora.

Adão e Eva e no paraíso também tiveram de enfrentar a questão do fazer ou não fazer a vontade de Deus. Num primeiro momento, optaram pelo não; depois, consequentemente, tiveram que percorrer um longo caminho de volta a Deus, um caminho que é também o nosso, um caminho que todos nós agora temos de trilhar todos os dias.

Evangelho

"Dirigiu-se Jesus em seguida a uma casa. Aí afluiu de novo tanta gente, que nem podiam tomar alimento.

Esta imagem de Jesus entrando em uma casa não pode deixar de ser significativa para nós. Em várias passagens dos Evangelhos encontramos esta cena tão agradável de se contemplar, a de Jesus a entrar na casa das pessoas. Temos Jesus que entra na casa de São Pedro e cura-lhe a sogra; a entrada na casa de Zaqueu [ Jesus olhou para cima e disse: Zaqueu, desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa. E ele desceu depressa e o acolheu com alegria” (Lucas 19, 5-6).]; a entrada na casa do chefe da sinagoga quando da ocasião da ressurreição de sua filha [ Quando ele chegou à casa do chefe da sinagoga, ele viu ali uma grande comoção de pessoas a chorar e a fazer grandes lamentos em voz alta... Ele tomou a criança pela mão e lhe disse: Talita Cum, que significa “Garotinha, eu te digo, levanta-te” (Mc 5, 38.41) ]; temos também as belas passagens dos amigos de Betânia, Marta, Maria e Lázaro, que se podem ler nos Evangelhos de São Lucas e de São João. A casa em que Jesus entra representa a nossa inteira vida, e também a nossa casa interior, o nosso coração ou a nossa alma, que é onde Jesus entra para nos libertar.

Quando os seus o souberam, saíram para o reter; pois diziam: "Ele está fora de si."

 Para que este primeiro grupo de familiares não é o mesmo em que se encontra a Santíssima Virgem e os chamados “irmãos de Jesus”. Estes chegarão depois e ver-se-á que seu comportamento é motivado por amor, querem vê-lo, e não por crítica. A expressão em Português “estar fora de si” parece traduzir bem o termo grego empregado pelo evangelista. ἐξέστη [ lê-se ecséste ], que significa “ele surtou”, traz em si o prefixo ἐξ [ex], que evoca a ideia de “fora”, “exterior”. Consideramos que as pessoas imaturas são aquelas que ainda não desceram dentro de si mesmas, de modo a encontrar a sua verdadeira voz, o seu verdadeiro “eu”. As pessoas maturas, por sua vez, são aquelas que encontram dentro de si este “eixo”, este centro que lhes dá o autodomínio e a sabedoria. Esta é sem dúvida uma graça que o Senhor quer nos fazer, de nos ajudar a fincar as raízes de nossa personalidade em estratos mais profundos de nossa alma e não vivermos “fora de nós”. Estes parentes de Jesus não o podem compreender, pois são superficiais demais.

Também os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: "Ele está possuído de Beelzebul: é pelo príncipe dos demônios que ele expele os demônios."

Quem é este demônio chamado Beelzebul? (1) Um nome semelhante a este aparece no Segundo Livro dos Reis. É o nome da divindade que o rei Acazias manda consultar, o que é pecado, a respeito de sua saúde.

E caiu Acazias pelas grades de um quarto alto, que tinha em Samaria, e adoeceu; e enviou mensageiros, e disse-lhes: Ide, e perguntai a Baal-Zebube, deus de Ecrom, se sararei desta doença. Mas o anjo do SENHOR disse a Elias, o tisbita: Levanta-te, sobe para te encontrares com os mensageiros do rei de Samaria, e dize-lhes: Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal-Zebube, deus de Ecrom? E por isso assim diz o SENHOR: Da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás. Então Elias partiu. (2Ki 1:2-4 BRP)

Baal-Zebube era o nome de um deus cultuado pelos filisteus. O significado original deste nome parece ser, segundo os biblistas, “o senhor das moscas”. Provavelmente era invocado sobre os corpos dos animais sacrificados no culto como modo de espantar as moscas. Outros biblistas acreditam que Baal-Zebube possa ser uma corruptela de Baal-Zebul, que significa “o senhor da mansão”, ou “o senhor da casa alta”. Neste caso, a casa alta seria provavelmente o templo da divindade localizado no cume de um monte.

Este sentido de “o senhor da casa enquadra-se bem no contexto da passagem do Evangelho que estamos meditando, e nos parece que o Evangelista certamente o teve em mente. Ora, no começo da passagem, vimos que Jesus “entrou na casa”; e mais à frente, em sua parábola, ele dirá que é preciso amarrar o homem forte e então entrar em sua casa e pilhar-lhe a propriedade. Assim, o homem que, em sua casa interior, está escravizado pelo demônio, representado aqui por Baal-Zebul, é liberto por Cristo que aí entra como vencedor.

Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: "Como pode Satanás expulsar a Satanás?

 Uma parábola é uma historieta fictícia empregada para representar certa verdade, doutrina, ou conjunto de fatos objetivos. Ela é organizada internamente de modo que os seus elementos possam ser comparados, por analogia, aos elementos da realidade que ela representa. Por isso, a parábola busca comunicar a dinâmica, o modo de operar, daquela coisa que ela representa. Nas parábolas, a ação das partes/personagens tem grande importância, mais até que as próprias partes/personagens.

Mas, havendo-os convocado, dizia-lhes em parábolas: "Como pode Satanás expulsar a Satanás? Pois, se um reino estiver dividido contra si mesmo, não pode durar. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode permanecer. E se Satanás se levanta contra si mesmo, está dividido e não poderá continuar, mas desaparecerá. Ninguém pode entrar na casa do homem forte e roubar-lhe os bens, se antes não o prender; e então saqueará sua casa.

 A parábola de Jesus quer revelar a contradição que existe na acusação que lhe fazem os seus opositores. A razão da contradição está nos fatos objetivos do ministério de Jesus. Desde o começo de seu ministério público, ele anunciava a boa nova do Reino de Deus, e ratificava-a com milagres estrondosos que só poderiam ser obra divina; milagres como a cura do paralítico que era carregado por quatro homens (Mc 2, 1-12), a cura do leproso (Mc 1, 40-45), o exorcismo do possesso na sinagoga (Mc 1, 21-28), cura e exorcismos de multidões inteiras (Mc 1, 29-33). Além disso, existia o testemunho da conversão daqueles que o seguiam, isto é, seus seguidores abandonavam as trilhas do pecado e se voltavam para Deus com desejo sincero de fazer a vontade divina. São estas realidades santíssimas que os opositores de Jesus chamaram de obras de Baal-Zebul. É como se alguém, por exemplo, hoje em dia, acusasse um grande santo, uma Madre Teresa de Calcutá, de agir pelo demônio; ora, isso seria um contrassenso total, e desconfiaríamos de imediato da honestidade de quem fizesse tal afirmação.

A parábola do saque da casa do homem forte, que aludimos acima, relaciona-se com o significado de Baal-Zebul, o senhor da casa. Cristo é o Salvador que, entrando no domínio conquistado por satanás pelo pecado, reconsagra-o a Deus. A ideia de o demônio ser o “senhor da casa”, isto é, aquele que detém poder sobre o homem, aparece em outros lugares do Novo Testamento. São João, por exemplo, nos diz que “o mundo inteiro jaz sob o poder do maligno” (1 Jo 5, 19); e o Apocalipse considera satanás aquele que “engana todo o mundo” (Ap 12, 9).

"Em verdade vos digo: todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, mesmo as suas blasfêmias; mas todo o que tiver blasfemado contra o Espírito Santo jamais terá perdão, mas será culpado de um pecado eterno." Jesus falava assim porque tinham dito: "Ele tem um espírito imundo."

 Estas palavras de Jesus estão na lista das mais terríveis revelações feitas por Deus. Terríveis não porque Deus se compraza no mal ou em nos assutar; terríveis porque descrevem o abismo de maldade a que pode chegar um coração humano em seu endurecimento e rejeição do bem.

O que Jesus chama exatamente de “pecado contra o Espírito Santo” nesta passagem do Evangelho? Ele considera que as acusações proferidas contra Ele por seus opositores sejam esse “pecado contra o Espírito Santo”. Há dois modos de entender isso: um objetivo e outro subjetivo. Já dissemos que os fatos no ministério de Jesus davam testemunho, eram uma prova cabal, de que Deus agia sim por meio dele. Assim, esses fatos, os milagres e as conversões, eram realidades operadas pelo Espírito Santo. Negar estes fatos é negar o Espírito Santo – este é o aspecto objetivo. O aspecto subjetivo consiste em que os opositores de Jesus resistiram à graça do Espírito Santo dentro deles, tendo em vista que o local próprio da ação do Espírito Santo é a alma humana, o homem interior. Pode-se entender isso se levarmos em conta que estes opositores eram líderes religiosos com certo prestígio e poder. Aceitar a Cristo significava admitir que não eram eles os mediadores entre o Deus e a comunidade, mas o Messias que se lhes revelava historicamente bem diante de seus olhos.

Existe um fenômeno salientado pelos psicólogos que vale a pena aqui ser mencionado. Trata-se da dissonância cognitiva e dos processos de auto-engano (2). Quando alguma situação que experimentamos contradiz as nossas crenças mais queridas, ou quando nos deparamos com informações que também as contradiz, tendemos a sentir essa contradição em um sentimento de desconforto. Para aliviar este desconforto, podemos mentir para nós mesmos ou buscar mais informações que ratifiquem aquelas crenças que são queridas. O problema não é tentar sanar as contradições dentro da mente, pois isso é próprio da racionalidade; o problema surge quando nós nos contamos mentiras para nos consolar sem nos apercebermos de tal fato; neste momento, deixamos a realidade e passamos a viver na dimensão da ilusão; e isso é perigoso.

Ora, as exigências do Evangelho são difíceis para todos. O Evangelho nos questiona nos nossos mais íntimos apegos. Como bem frisou o Autor da Epístola aos Hebreus: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisäo da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E näo há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.  (Heb 4:12-13 BRP) Tantas pessoas há que inventam mil malabarismos teológicos para convencerem-se de que nem o demônio e nem o inferno existem, e que o pecado deles é algo absolutamente normal e sem nenhuma consequência social. Não seria isso um auto-engano e dissonância cognitiva? Talvez seja este o caso dos opositores de Jesus nesta passagem. É melhor inventar que o Cristo é um filho de Beel-Zebul e assim não ter de encarar as consequências que isso acarretaria.

 Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo. Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: "Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram." Ele respondeu-lhes: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: "Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

Na introdução de nosso comentário dissemos que há dois grupos em oposição quanto ao “fazer a vontade de Deus”. O primeiro grupo que já vimos é o dos opositores de Jesus, os quais chegam ao ponto de mentirem para si mesmos e de resistirem à graça divina. Aqui, entretanto, estamos diante do grupo que faz a vontade de Deus. Este grupo é divido em dois: os que estavam com Jesus naquela ocasião, que estavam “em torno dele”, e os que chegam depois, Maria e os ditos “irmãos de Jesus” (Vamos tratar da questão dos irmãos de Jesus em uma publicação à parte). Nosso Senhor compara então o grupo maior ao grupo menor, isto é, aqueles que fazem a vontade de Deus são como (embora o como não apareça, ele é implícito) o irmão, a irmã e a Mãe dele. A expressão “meu irmão, minha irmã e minha mãe” é uma forma concreta e imagética de dizer o que nós diríamos em linguagem mais abstrata: os que se me assemelham.

Com isso, fica respondida num primeiro momento a questão que nos propusemos no início: afinal, o que é fazer a vontade de Deus? É ser semelhante a Cristo, seguir os seus ensinamentos. Ora, antes da prática vem o aprendizado; e é por isso que os discípulos de Jesus estão em torno dele; formam como que um círculo cujo centro é Ele; estão ali para aprender; Cristo é o centro de suas vidas, de seu interesse, de sua existência.

Demais Textos

Gn 3, 9-15 / Sl 130, 1-8 / 2 Cor 4, 13 – 5,1

Deus chamou o homem, onde estás tu (Gn 3, 9)?

Ouvimos esta passagem de Gênesis sob a ótica do fazer ou não fazer a vontade de Deus. Adão e Eva são aqueles que, num primeiro momento, não fizeram a vontade de Deus. O relato da queda nos traz a dinâmica tentação-pecado-consequência-amparo divino. É a nossa história que é contada. Dentro de cada um de nós existe um Adão, um homem velho, como ensina São Paulo, o qual sofre quase o tempo todo as sugestões da serpente enganadora, isto é, o conjunto de todas as forças que nos incita ao mal. A Palavra de Deus na Tradição da Igreja nos garante que houve sim um primeiro homem e uma primeira mulher, os quais, sendo tentados pelo demônio, cometeram um pecado que causou a perda da graça sobrenatural e uma inclinação ao mal, que se convencionou chamar de “concupiscência”; este estado de queda foi transmitido a toda a humanidade.

“Eu te escutei no jardim, tive medo, porque estava nu, e me escondi” (Gn 3, 10).

No que tange às nossas relações com Deus, o verbo “escutar” é o dos mais significativos e importantes. A Deus não podemos ver, mas podemos escutá-Lo. Quando escutamos as palavras de Jesus no Evangelho, é a Deus que estamos a ouvir. E somos convocados a penetrar nesta palavra de um modo mais espiritual, para que Ela nos ilumine desde dentro. Escutar – é exatamente isso que estão fazendo os seguidores de Jesus no Evangelho de hoje, estão a escutar o Mestre.

Tu comeste da árvore a respeito da qual te dei o mandamento de não comer (Gn 3, 11)?

É importante salientar que para podermos fazer a vontade de Deus, é preciso que a conheçamos; e para que a conheçamos, é preciso que Deus no-la revele. Esta revelação foi feita e está guardada no depósito da fé da Igreja. Por esta revelação, sabemos quais são os mandamentos divinos. Sempre temos à nossa disposição uma fonte objetiva de verdade que nos ajuda a fazermos escolhas na caminhada da vida.

A serpente me enganou, e eu comi (Gn 3, 13).

Assim como há a revelação de Deus na história, também há na história as mentiras do diabo, a contra-revelação, que tenta a todo custo minar os planos da salvação. Pensemos em quantas ideologias mortíferas já grassaram e ainda grassam pelo mundo afora: nazismo, comunismo, ideologias pró-aborto etc. Não lhes prestemos ouvido.

A descendência da mulher pisará a tua cabeça (Gn 3, 15).

O Hebraico literalmente diz: Inimizade porei entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o descendente dela, ele te esmagará a cabeça e tu lhe sibilarás aos pés. É interessante notarmos a diferença de grau que existe entre o golpe do descendente e o golpe da serpente. O descendente esmaga a cabeça da serpente, ao passo que esta emite o seu sibilar aos pés dele. Ora, o descendente destrói o ponto mais forte da serpente, a sua cabeça, de onde vêm as suas artimanhas e onde se aloja o seu veneno; a serpente, por usa vez, pode sibilar aos pés do descendente. Metaforicamente, o que o diabo pode fazer é emitir o seu silvo, a sua tentação; essa tentação, porém, é escutada na parte mais “baixa” do ser humano, simbolizado aqui pelos pés. Isso é de grande significado para nós: toda tentação só pode atingir a nossa parte mais baixa e frágil; as partes mais fortes do nosso ser, representados pelos membros e sobretudo pela cabeça, sede da racionalidade, estão livres para destruir a tentação. Lembre-se disso quando for tentado da próxima vez.

Ponho a minha esperança no Senhor. Minha alma tem confiança em sua palavra (Sl 129/130, 5).

Fazer a vontade de Deus não é uma questão de simplesmente conhecer um conjunto de regras e as pôr em prática; isso seria um puro moralismo ou legalismo, e impossível até de se concretizar. Fazer a vontade de Deus é abrir-se a Deus por meio de sua Palavra, deixar que Deus mesmo aja em nosso íntimo, iluminando-os, fortalecendo-nos desde dentro, de modo que sejamos capacitados a cumprir a sua vontade. Por isso, no salmo deste domingo, nos abrimos espiritualmente à ação divina dentro de nós, através da fé. A fé é uma abertura do ser a Deus.

"A nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, nos proporciona um peso eterno de glória incomensurável. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem . Pois as coisas que se vêem são temporais e as que não se vêem são eternas" (2 Cor 4, 17).

Nossa obediência a Deus, o nosso “fazer a sua vontade”, funda-se sobre a Palavra de Deus revelada. Embora a compreendamos pelos dons espirituais que nos faz o Espírito Santo, conforme avançamos na vida espiritual e nos percalços da vida, nem tudo é tão claro aos nossos olhos naturais. Nestes momentos de escuridão, devemos nos guiar pela luz puríssima da fé: “Senhor, por hora não entendo, mas faço-o crendo em Vós”. A compreensão virá depois.

Fazer a Vontade de Deus Hoje

Fazer a vontade de Deus é estar em torno de Cristo, isto é, tê-Lo como o centro de nossa existência, abrirmo-nos espiritualmente à sua presença viva e atuante. Pela Eucaristia, Ele verdadeiramente entra em nossa casa interior e liberta-nos das escravidões. Temos de fazer, contudo, a nossa parte. Escutar Cristo, para sermos capazes de pôr em prática o seu ensinamento, mais do que isso, para sermos capazes de replicar a sua existência na nossa, implica um engajamento consciente de contemplação e abertura, os quais se dão através de um espírito de fé que permeia todo o nosso agir cotidiano e daqueles momentos em que interrompemos tudo o mais para nos dedicarmos inteiramente à sua presença, isto é, a oração. A forma de oração que este domingo nos ensina é a escuta. Orar é escutar. Orar é como pôr-se naquela roda de pessoas cujo centro é Cristo, é a roda mística da Igreja, do Reino de Deus.

Oração:

Senhor, dá-me a graça de me abrir a Ti, de Te escutar, e fazer a tua vontade, como fez a Virgem, tua Mãe, por quem Te peço esta graça. Amém.

 

Escreveu este comentário litúrgico Ir. Cristóvão O Silva, nds

 


Referências:

(1) New Advent Encyclopedia: http://www.newadvent.org/cathen/02388c.htm

(2) Artigos sobre auto-engano e dissonância cognitiva:

O poder do autoengano

Você conhece a dissonância cognitiva?

 

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