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A Epifania do Senhor

Ir. Maycon dos Reis Custódio
4 de janeiro de 2019

A festa da Epifania encontra-se ainda no contexto das festas natalinas. Para bem celebrá-la devemos nos voltar para o mistério do “Verbo que se fez carne” na manjedoura. Esta festa nos convida a celebrar o encontro do Messias de Israel com os chamados pagão, representados pelos “magos vindos do Oriente”. A origem desta festa litúrgica remonta à Igreja do Oriente, tanto que ainda hoje nas Igrejas de Rito Oriental ela possui uma grande importância,  tal como o Natal para nós cristãos de Rito Romano. Na Festa da Epifania, os cristãos orientais celebram a grande manifestação de Deus, que engloba a visita dos Magos, o Batismo de Jesus e as Bodas de Caná.

A palavra grega epifania significa tornar-se visível, manifestar. Ora, na festa de hoje celebramos justamente a manifestação do Deus menino às Nações representadas pelos ilustres visitantes como nos conta o evangelista Mateus. Na Sagrada Escritura, contudo, encontramos outras manifestações gloriosas de Deus, que são chamadas de teofanias. Por exemplo, no livro do Êxodo, no episódio da sarça ardente (Ex 3), ou mesmo em Ex 24, 16-18 quando Moisés subiu ao monte para falar com Deus ou quando Deus descia à tenda de Moisés para falar com ele (Ex 33,9). O Deus de Israel não é um Deus escondido, mas um Deus que se manifesta ao Seu Povo por sinais, milagres e por sua própria Palavra.

A primeira leitura retirada do capítulo 60 de Isaías é parte de uma profecia escatológica, que anuncia que todas as Nações subirão a Jerusalém para ali encontrar Deus de Israel. O Profeta anuncia com alegria e entusiasmo esse tempo em que o Senhor Deus reunirá seu Povo e fará brilhar do meio do Seu povo Israel para todos os povos a Sua Luz. Afinal, a vocação de Israel é mesmo a de iluminar as Nações e guia-las para o Senhor Único de Israel.

Duas promessas são anunciadas por Isaías: a luz que ilumina a Cidade Santa, Jerusalém e os povos que são iluminados pela luz que vem de Israel. A Escritura apresenta aqui a promessa de que a salvação oferecida ao Povo Eleito é destinada a todas as Nações. “Os povos caminham à tua luz”, diz Isaías, anunciando que a graça dada aos filhos da Aliança tem caráter universal, pois a vocação de todos os homens, de toda criatura é a de louvar o Senhor e celebrar da sua misericórdia. Este é convite do Salmo: “As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor” (Sl 71). Theodoro Ratisbonne ensinava que “O povo judeu é o núcleo ao qual se prendem todas as misericórdias de Deus, pois do seu seio saiu o Salvador do mundo”.

Por outro lado, há a menção à cidade de Jerusalém, que é ocupa um lugar sagrado na fé judaico-cristã, é o lugar por excelência da presença de Deus. Na profecia de Isaías a cidade de Jerusalém toda cheia da luz do próprio Deus é o símbolo da salvação, por isso é ela o destino final dos peregrinos da fé. Nesta festa da Epifania vemos que o Menino Deus é o destino final da peregrinação dos Magos, é ele o Lugar por excelência da Salvação.

O Evangelho de Mateus nos narra o episódio conhecido da visita dos Magos ao Menino Deus recém-nascido. A tradição popular assimilou de diversas maneiras esta festa, de modo que a festa da Epifania também é conhecida como festa dos Reis Magos. Neste episódio evangélico vemos duas figuras: os Magos e o Rei Herodes.

Herodes, rei de Israel representa o protótipo dos que não encontram em Jesus a luz verdadeira. O nascimento do menino que foi motivo de alegria para os anjos e sinal de esperança causou apenas uma reação no rei: “o rei ficou perturbado”, diz o Evangelista. Sua perturbação vem do não reconhecimento da luz vinda do Menino Deus. Aqueles que não se deixam guiar por Deus, que não trilham os caminhos da justiça são suscetíveis a qualquer ameaça. Quem não se apoia em Deus está sujeito a guiar sua vida por qualquer vento de doutrina, crença ou esperança. Herodes representa o homem que se deixa dominar pelas trevas que cegam e impedem de reconhecer as belezas de Deus em si próprio, no outro e na Criação. Para aceitar a salvação de Jesus é necessário humildade, atitude dos que reconhecem que Deus é grande, mas age à maneira dos pequenos, de que Deus é fonte de todo poder, mas que é reconhecido pela sua maneira de amar e de agir em favor dos pequenos. Justamente porque Deus é Deus, Poderoso e cheio de amor é que Ele é capaz de se tornar um de nós, assumindo plenamente nossa humanidade, elevando-a assim a uma categoria sublime, a de filhos de Deus.

Outra categoria apresentada pelo Evangelho é justamente o contrário de Herodes, são os magos. Segundo o evangelista, esses “magos vieram do Oriente” (Mt 2,1). Ainda de acordo com o Evangelho, os magos eram guiados por uma estrela que os indicava o lugar onde estava o Menino Jesus. Vindos de fora da Terra de Israel, os Magos eram guiados, sobretudo pela promessa de que em Belém deveria nascer “aquele que deve governar Israel” e “o que será ele próprio a paz” (Mq 5,1.4). Estes estrangeiros que reconhecem e aceitam as promessas feitas a Israel são os primeiros beneficiados com a salvação que é oferecida ao Povo da Aliança, mas estendida gratuitamente a todas as Nações através do Messias Jesus. Deste modo, cumpre-se a promessa feita no início da história da salvação a Abraão: “Tornarei grande o teu nome. Tu serás uma benção” (Gn 12,2). A benção dada a Abraão alcança toda a humanidade. A luz de Israel ilumina todo homem em Jesus Cristo.

As primeiras testemunhas que vem à manjedoura render homenagem ao Menino Deus de acordo com São Lucas são os pastores, homens humildes do Povo de Israel, demonstrando que o Messias vem para Israel e assim, Israel poderia exercer sua vocação de iluminar todos os povos. Já de acordo com São Mateus que lemos hoje, as primeiras testemunhas são justamente estrangeiros, vindos do distante Oriente, abrindo deste modo a perspectiva da salvação a todos os povos e culturas. De fato, todos os povos, nações, culturas, todo homem e mulher, de todos os tempos podem acolher a mensagem da salvação trazida pela criança nascida em Belém.

A festa da Epifania celebra a salvação universal trazida pelo Messias de Israel. Deus concluiu com Abraão e seus filhos uma aliança irrevogável. Em Jesus Cristo esta Aliança foi também estendida a todas as Nações, não sendo mais exigindo a pertença carnal ao Povo de Israel. Por meio de Jesus Cristo, Deus feito homem no Povo de Israel, os valores, as crenças, a fé de Abraão tornou-se acessível aos não membros do Povo da Aliança, alcançando assim o mundo todo. Epifania é a festa do Deus que se manifesta a toda a humanidade.

A Epifania do Senhor nos convida a como os Magos, trilhar um caminho de busca e de seguimento ao Senhor. Quanto mais seguimos este caminho mais Deus se revela a nós, comunicando-nos a dinâmica do seu modo de ser e agir. O caminho é que nos transforma em discípulos, em verdadeiras testemunhas. É no caminho de nossas vidas, do jeito que somos que conhecemos a Deus e aprendemos a amá-Lo. O caminho de busca nos transforma interiormente, ajudando-nos a deixar para trás os traços de egoísmo e desumanidade. Por fim, esta festa também nos convida a louvar a Deus pelo dom da salvação oferecido a todos e também a nós hoje, pois em Cristo “tornou-se manifesta a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens” (Tt 2,11). Agradeçamos a Deus por Sua presença em nosso meio, principalmente em sua Palavra e no Pão da Eucaristia que celebramos com nossas comunidades.

Maycon dos Reis Custódio
irmão de Sion
vive em Jerusalém

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
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