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Segundo Domingo do Tempo Comum

Ir. Cristóvão O Silva, nds
19 de janeiro de 2019

Eis-nos em Caná, na Galileia, ao norte de Nazaré, ao norte de Séforis. É o começo do ano 27, entre janeiro e abril. O rigor do inverno já passou e a suavidade da primavera já se manifesta. Com as chuvas do inverno, tudo se recobriu de verde, e o sol, passando de uma estação à outra, ainda não castiga, mas aquece suavemente em meio aos últimos ventos frios que ainda insistem em soprar.

Aí estamos em uma festa de bodas. Aí está o noivo, aí está a noiva. Bodas como esta sempre houve; aparentemente, não há nada nela que a diferencie de outras. Mas a aparência nunca foi a melhor testemunha da verdade. Aí está, com os demais convidados, o criador do Céu e da Terra, Aquele “por quem tudo se fez e sem o qual nada se fez do que foi feito” (Jo 1, 3). Ei-Lo aí, feito homem, a observar os convidados do noivo, Ele mesmo sendo um deles; mas a verdade é que o universo inteiro é seu hóspede e convidado; foi Ele quem convidou o cosmos à existência pela palavra de sua boca (Hb 11, 3). Ei-Lo aí, a contemplar os corações de todos os homens, sedento por abrir a sua boca para dar a Palavra da vida, e a estender a sua mão para conceder a graça divina que tudo santifica.

Eis aí também a sua mãe. Junto a algumas outras mulheres, ajuda no serviço da festa. Não teria ela também ajudado a enfeitar a noiva? E quem terá sido o jovem casal que recebeu de Deus a dádiva de sua própria presença encarnada, e a presença de sua mãe, “a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima” em suas bodas? E quando contemplou a noiva, não lembrou ela de suas bodas com o dulcíssimo e valentíssimo José? Mas José já partira; como Enoque (Gn 5, 24), milênios antes, também José, o homem justo (Mt 1, 19), andou com Deus e Deus o levou. Oh quão doce é para a Virgem a lembrança de José… E olhando para o passado, Ela lembra de tudo, quando o anjo a visitara, as promessas divinas, as bodas com José, o nascimento de Jesus, a fuga para o Egito, o retorno à terra de Israel, os primeiros anos em Nazaré… Na verdade, ela nunca se esqueceu. Tudo isso, era um fogo divino a crepitar em seu coração.

E é desde esse fogo, isto é, a chama do Espírito Santo que dentro dela arde, que ela nota que o vinho acabou, pois estes amigos de Jesus e de Maria eram de condições modestas.  Mas quem se desesperaria com a falta de vinho ou de qualquer coisa finita tendo em sua casa Aquele que é o próprio infinito e a fonte de tudo o que há? Mas, por enquanto, só a humilde Maria tem clareza deste segredo. E é por isso que Ela recorre ao Senhor do infinito por uma graça finita: “Eles não têm mais vinho”.

Dir-lhe-á o Senhor: “Mulher, que há entre mim e ti? Ainda não chegou a minha hora” (Jo 2, 4). Ora, ousemos nós mesmos dizer ao Senhor o que há entre Ele e sua Mãe. Ora, Senhor, eis aí vossa Mãe. Ela é vossa criatura, a qual desde todos os séculos predestinastes a ser aquela de cujas carnes vos revestirias para vir nos comunicar a vossa palavra e a vossa graça. E Vós, Senhor, a criastes imaculada. Não permitistes que nenhuma sombra de pecado tocasse a sua alma. Ela não é como nós, Senhor, que concebemos o mal em nossos corações da manhã à noite. Ei-la aí, Senhor, por vontade da Santíssima Trindade, feita a Esposa do Espírito Santo. Eis aí, Senhor, a Rainha do Céu e da terra, por meio de quem derramais todas as graças que derramais sobre a face da terra. Senhor, eis aí aquela a cujos mínimos suspiros não resistis. Tudo o que Ela Vos solicita com o mínimo olhar, Vós lhe concedeis imediatamente. Tanto é verdade, Senhor, que ordenais aos vossos criados, sim, porque todos os homens vos pertencem e fazeis de cada um o que bem quiserdes, que encham com água as seis talhas de pedra que estão ali no canto, as talhas que se usam para a purificação. E para apaziguar a aflição do coração de vossa Mãe, operais um milagre mudando a água em vinho. Primeiro mudais, Senhor, visivelmente a água em vinho para nos mostrar que podeis mudar o vinho em sangue invisivelmente.

Pequeninos, o Senhor nos desposou. Nós somos d’Ele. Como um noivo se regozija ao ver sua noiva, assim Cristo também se regozija ao contemplar a sua Igreja (Is 62, 5). É preciso, porém, penetrar misticamente este mistério. E fazemos isso pela fé ardente que se manifesta na oração e na conversão. Deixemos, pois, de ser esta terra desolada (Is 62, 4) e abramono-nos à presença transformadora do Senhor Jesus Cristo. Assim como ele mudou o conteúdo daquelas talhas, que antes continham apenas água insípida, em um vinho delicioso, do mesmo modo ele vai mudar o nosso interior purificando-nos com o seu Sangue.

Que Nossa Senhora de Sion, hoje em seu dia festivo, interceda por nós em nosso caminho de transformação interior.

As Bodas de Caná da Galileia

Primeira artista australiana a estudar na Europa, Adelaide Ironside aspirava à pintura histórica, a mais alta categoria de arte do seu tempo. O casamento em Caná da Galileia' 1861/1863 - a pintura mais importante de sua carreira - retrata o primeiro milagre público de Cristo, a transformação da água em vinho durante a festa de casamento em Caná da Galileia. Pintado em Roma, "O casamento" foi exibido na Corte Colonial da Exposição Internacional de 1862 em Londres. Ele foi devolvido a Sydney após a morte prematura da artista, e está há longos anos sob a tutela do St Paul's College, da Universidade de Sydney.
Fonte:Google Arts & Culture

Cristóvão Oliveira Silva, ndso
irmão de Sion
vive em Jerusalém

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
portal[arroba]sion.org.br