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Oitavo Domingo do Tempo Comum

nem fantasias nem máscaras

Ir. Maycon dos Reis Custódio
2 de Março de 2019

“A boca fala daquilo que o coração está cheio”, ensina o Evangelho deste 8º Domingo do Tempo Comum. Certamente você já deve ter ouvido esse versículo bíblico que encontra eco em diferentes expressões populares. O coração sempre foi identificado como a sede da sabedoria, da vida íntima, enquanto que pela boca expressamos aquilo que somos, ou o que não somos. Conhecemos certamente pessoas que transmitem uma enorme paz e pessoas que queremos guardar distância. Ninguém transmite aquilo que não possui naturalmente.

A liturgia deste Domingo contém uma série de pequenos ensinamentos que tem o objetivo de ajudar o crente no caminho de sua vida. Os livros Sapienciais (de onde se tirou a leitura do Eclesiástico) são uma coletânea de ensinamentos práticos sobre diversos assuntos da vida humana; a sabedoria do homem bíblico foi construída na prática do dia-a-dia, tendo sempre em vista que o justo (ou poderíamos mesmo dizer santo) é aquele que deixa transparecer suas crenças e valores em suas práticas e ações.

Um tema presente seja na primeira leitura seja no Evangelho diz respeito às palavras. “A palavra mostra o coração do homem”… “é no falar que o homem se revela” (Cf. Eclo 27,7-8). Vivemos em uma sociedade onde a palavra de uma pessoa não confere mais autoridade. Somente a palavra de uma pessoa não vale como bom testemunho. Necessitamos de documentos, assinaturas, garantias e comprovações. Em no tempo da Internet, onde as palavras “são quais se não fossem” (Cf. Is 40,17), as palavras se tornam mais abrangentes ainda e ao mesmo tempo irresponsáveis; na sociedade da aparência, onde a palavra de uma pessoa vale o tanto quanto ela pode me trazer proveito, onde muitas vezes prefere-se prostituir a palavra e vender a alma à hipocrisia; prefere-se falar mal dos outros a falar com os outros dos seus males, ajudando-os, atitude vista como caridosa pelo Evangelho (cf. Mt 18, 15-20). Conhecemos bem o fenômeno das ‘fake news’, um termo bonito para falar de um mal antigo, a fofoca e a mentira.

É por meio das palavras que nos comunicamos. Usando delas colocamos para fora aquilo que somos interiormente. Foi pela Palavra que Deus se revelou, por meio delas que Ele testemunhou Seu amor por Israel e por todos nós. Cremos que Jesus Cristo é a Palavra de Deus feita carne, ou seja, que tudo o que Deus é podemos vê-lo através de Jesus Cristo. Deus partilhou de sua vida conosco através da Revelação. Pela boca dos Profetas, sábios e Apóstolos a vontade de Deus, a vida d’Ele nos foi anunciada.

Nossa fala nunca é inocente. Sempre que falamos algo externalizamos o que pensamos e somos em nosso íntimo. Se nossa fala é carregada de bons sentimentos, de desejos bons aos outros, significa que interiormente estamos avançando em humanidade e sendo justos conosco mesmo e com o próximo. Um bom coração se manifesta com atitudes boas, como Jesus mesmo nos ensina quando diz que “a boca fala do que o coração está cheio”. Mesmo quando criticamos, se nossas críticas são alimentadas por boas intenções e interesse em ajudar os outros, demonstramos que a vida do outro tem sentido e valor.

O Senhor nos lança o convite de olharmos para nós mesmos, sem medos, sem fantasias ou máscaras. Diante de Deus nós não precisamos da aprovação do poder, do status, das ilusões que criamos para nós mesmos para nos afirmar. Diante de Deus nós somos apenas nós mesmos. E o convite de Deus é que nossas ações (palavras) correspondam realmente àquilo que somos.

Peçamos ao Senhor a sinceridade de sermos coerentes, agindo assim de modo verdadeiro, sem se apegar a aparências e a estereótipos de qualquer natureza, afinal Deus quer que sejamos nós mesmos, não qualquer outra coisa. Foi para isso que Ele nos deu o maravilhoso dom da vida. Que nossa fé seja guia e luz de nossas ações e escolhas. Dizia São Gregório de Nissa[1] (séc. IV) que “a coerência do homem interior e do exterior aparece harmoniosa, quando os pensamentos que provém de Cristo guiam e movem a modéstia e a honestidade de nossa vida”.

Como crentes no Deus da Revelação, temos o compromisso de fazer que nossas palavras e ações sejam expressão de nossa fé.  O salmista (cf. Sl 91) nos indica que nossa vida como discípulos do Deus da vida é “anunciar sua bondade, seu amor fiel…” Que o nosso caminho de discipulado seja um constante olhar para Cristo, o modelo de “homem perfeito” (cf. Ef 4,13).

[1] Do tratado sobre a verdadeira imagem do Cristão.

Retrato de uma Mulher com Máscara - Rosalba Carriera, 1720/1730

Fonte: Google Arts & Culture

Ir. Maycon dos Reis Custódio, nds
irmão de Sion
Jerusalém, Israel

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