Frater Germanus: sobre a beleza da consagração de um homem católico apostólico romano, pars I.

Frei Paulo Antônio Alves, nds


O Ano da Vida Consagrada foi um período propício de orações, meditações e reflexões acerca da Vida Consagrada. Muitos irmãos e irmãs se beneficiaram desse período para vivenciar ainda mais a beleza da consagração a Deus e outros um pouco menos.

Mas também vimos que muitos irmãos e irmãs apenas ouviram o chamado e quase nada foi feito. Por que será? Dentre as muitas coisas, a questão da identidade da Vida Consagrada no hoje do mundo e da Igreja apareceu como tema de discussão e, no calor e impulso desse questionamento sobre a identidade do consagrado e da consagrada dentre da magnífica diversidade das famílias de consagrados e consagradas: “como uma árvore frondosa” na belíssima definição metafórica da qual o Concílio Ecumênico Vaticano II fez uso.​

E constatamos hoje o que dizia o mesmo Concílio acerca da força dinamizadora do Divino Espírito Santo: a bela presença das Novas Comunidades, que é ação da Terceira Pessoa da Adorável Trindade, Comunidade de Amor: na Comunhão e na Participação.

​Emergiu, ainda com mais força, o que em pequenos goles era oferecido por alguns irmãos, homens católicos apostólicos romanos que tinham acabado de professar seus votos a Deus para o serviço da Comunidade e da Igreja, a partir de seus Carismas próprios: o termo: frei em lugar do termo: irmão que ficou como o termo geral na maioria das Famílias Religiosas Masculinas.

A partir do convite da Igreja para se voltar para a Vida Consagrada, o termo irmão foi visto, por um pequeno grupo de religiosos, a partir do que aconteceu com o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965) que, diante da realidade atual e de seus desafios e maravilhas, avançou a partir das raízes, fazendo uso de três conceitos principais que estiveram presentes nas orações e reflexões do Concílio e , que foram colocados em prática: 1) aggiornamento: abrir as janelas e deixar o bom e suave ar, que sopra onde quer e quando quer (Jo 3,8) entrar e atualizar a partir de um diálogo sério, respeitoso, acolhendo o que é bom e faz crescer e rejeitando o que é noviço e perpetrador de morte e sem, todavia, perder a identidade,  2) zikaron-memória: atualizante, atualizadora e atual e 3) a afirmação teológica: ecclesia semper reformanda (Unitatis Redintegratio, 6 [ 777 ], termo esse que se aproxima do termo: RRidush cunhado pela teologia rabínica, afirmação essa que se liga diretamente aos dois conceitos anteriores e que contem elementos próprios na sua definição.

Esses três conceitos trazem em seus bojos a ideia de algo que se atualizou sem prescindir das raízes, ou seja: sem se desfigurar, sem perder sua identidade. Sem separar o Divino do humano e o humano do Divino.

Esse grande e fecundo diálogo da Igreja ad intra e ad extra, tão importante e ainda – infelizmente – pouco conhecido, vivido e não aceito por algumas pessoas e grupos, fez aquilo que muitos e muitas não queriam: voltar para as fontes bíblicas, e fazendo memória da Tradição de Israel (Nostra Aetate, 4) e da  Tradição Patrística,ou seja, de duas grandes Tradições que não se excluem, pelo contrário, caminham juntas para iluminar, dar mais luz ao mundo, cujas bases para nós cristãos e cristãs estão em passagens bíblicas como: Jo 4,22; Mt 5,17; 2Cor 1,16; Rm 9-11.

Chegou-se à conclusão de que para avançar e ter no hoje da história um novo jeito de ser Igreja é mister voltar às fontes, às raízes

A conjunção desses três elementos ou conceitos, nutridos pela fé, pelo amor e pela esperança e pelo desejo de renovação de nossos irmãos reunidos no Vaticano por ocasião do Concílio Ecumênico, fez com que as novas flores e frutos viessem diretamente da força de suas raízes e fizessem surgir, como surgiu, uma face nova para a milenária Mater e Magistra Igreja, fazendo resplandecer em seus gestos uma atitude nova de Lógos e Diaconia, ou seja: de Diálogo amoroso e inteligente e de serviço a todos e todas (Jo 1,1-18; Jo 13,1-;Mc 10,44; ). Encontro esse que se tornou um divisor de águas na história da Igreja e do mundo.

E é justamente nesse espírito do Concílio Ecumênico Vaticano II, ouvindo ainda os ecos dos convites do Papa são João Paulo que ainda ecoam do Sínodo sobre A Vida... e do documento e um eco mais recente e também sonoro, do convite do Papa Francisco, que é um religioso, um irmão jesuíta ordenado no primeiro, no segundo e no terceiro graus do ministério da Ordem (diácono; padre-presbítero-sacerdote; bispo) que assumiu o nome de um irmão, de um frei: o frei Francisco, que foi ordenado no primeiro grau do sacramento da Ordem: diácono): o Ano da Vida Consagrada.

Ouvimos o convite e, na dignidade dos três estados de vida: laical, religioso e clerical (CDC can. 529, & 1; )  rezamos e refletimos sobre a Vida Consagrada e nela a Vida Religiosa Consagrada e nesta a beleza de homens e mulheres, irmãos e irmãs – freis/frades/frates/frays e freiras; religiosos e religiosas, que se consagraram a Deus Trindade professando seus votos para a construção do Reino dos Céus.

E ainda mais uma outra novidade que está trazendo luzes lindas e penetrantes: as Novas Comunidades. Essas luzes fazem memória do centro do ensinamento de nosso Mestre: o Rabi de Nazaré (Nazaré possui um radical que fala de consagração): este nos ensinou que tudo deve gravitar em torno do serviço aos irmãos e irmãos. É isso que o Pai quer: que sejam um (Jo 17,11.21) no serviço (Mc 10,44).

E foi justamente na alegria desse chamado que alguns irmãos, começamos a refletir sobre a identidade do religioso a partir do termo que o identifica na vida da Igreja e na sociedade brasileira: o termo: irmão.

Alguns de nós religiosos começamos a nos perguntar: “- Será que na sociedade hodierna, nesse tempo histórico, que para aquele crê é história da salvação e história para ser sinal de vida para todos e todas,  a palavra: irmão está sendo veículo de identidade do homem  católico consagrado a Deus pelos votos ou conselhos evangélicos, e que é um homem portador da Boa Nova do Reino de Justiça, Paz e Misericórdia?”

E a resposta foi: NÃO! A amplidão de significados da qual a palavra irmão é veículo ofusca e mesmo dilui o que está por trás da palavra no caso de um religioso consagrado a Deus na Vida Religiosa Consagrada não somente para fora da Igreja, mas muitas vezes dentro da Igreja, não se tem ciência e consciência daquilo que está por trás da palavra: irmão que é sinônimo da palavra: frei e esta já desperta algo a mais assim que a ouvimos.

Em nossa realidade brasileira, e quiçá em outras: quando falamos de irmão, em geral, estamos falando de irmãos, primeiro, em nível antropológico-biológico, pelo sangue familiar; segundo, em nível antrológico-social pelos laços da humanidade; em terceiro lugar, em nível antropológico-eclesial, em nosso caso de cristãos católicos apostólicos romanos, pelos vínculos indeléveis do Sacramento do Batismo: em Cristo, somos todos irmãos e irmãs, e que lindo presente Deus nos deu: de sermos chamados filhos e filhas de Deus (1Jo 4).

E esses três grandes níveis, vistos acima, e relativos ao uso do termo: irmão, desdobram-se ainda mais, por exemplo:

Nossos irmãos e irmãs de outras religiões não cristãs (ver Declaração Conciliar Nostra Aetate), e de modo especial (Nostra Aetate, 4), nossos irmãos e irmãs judeus e judias que, além de serem irmãos e irmãs, são os portadores de nossas raízes que nos sustentam (cf. Rm 11,18) e, portanto, são, segundo a expressão lapidar de são João Paulo II, “nossos irmãos mais velhos”.

Em âmbito cristão, nossos irmãos e irmãs protestantes, pentencostais, evangélicos etc tratam-se como irmãos e irmãs. Alguns grupos sociais se tratam como irmãos e irmãs. Até mesmo os membros da maçonaria, independentemente de seu grau usam como elemento de identidade o termo: irmão. Quer por pertença a uma religião ou grupo religioso, quer por pertença à natureza humana, é comum o termo: irmão e irmã como fórmula de identidade.

Em questão de Casa Comum (planeta Terra e Universo), nossos irmãos e irmãs da fauna, da flora, dos reinos animal, vegetal e mineral e de outros planetas irmãos conhecidos e não conhecidos. Em resumo, somos todos irmãos e irmãs. Dentro e fora do Planeta Terra: Pacha Mama.

Destarte, o termo: irmão é uma palavra que possui uma abrangência enorme e isso é lindo. Por trás dessa palavra, temos uma belíssima afirmação: somos todos e todas filhos e filhas de um mesmo Deus (1Jo 3,1), que é Amor (1Jo 4,7.8); e fazemos parte de uma mesma e única humanidade que povoa o universo conhecido.

Quando os documentos oficiais da Igreja são traduzidos para a realidade da América Latina (Abya Ayala: Terra Madura) e do Caribe, o termo utilizado para se referir ao homem católico apostólico romano que fez seu noviciado e professou seus votos a Deus é o termo: irmão; e, esse termo entra em um mar de significados, fazendo diluir a profundidade da vocação e da missão que o professo é mensageiro, enquanto membro de uma Família Religiosa, que é transmissora de um Carisma para ajudar a Igreja na construção do Reino dos Céus.

Graças a Deus, isso não acontece com as irmãs, que são freiras. Pois quando se fala em irmã, e esta não faz uso do hábito, como sinal externo, logo se acrescenta a palavra: freira: “Ela é irmã, que é freira!”, para identificar a mulher católica apostólica romana dos outros sentidos da palavra: irmã, como irmã evangélica, e não fica um laivo de dúvida.

Com relação à abreviatura dos termos: irmão e irmã, os religiosos que professam seus primeiros votos e as religiosas que professam seus primeiros votos, os junioristas e as junioristas, recebem, em geral, a mesma abreviação: Ir., não se fazendo distinção, de um religioso e de uma religiosa, quando o nome não é comum de dois gêneros, tudo bem! mas quando não o é?, como por exemplo: Darci, Ir. Darci e Ir. Darci, um religioso e uma religiosa.

Algo que devemos lamentar e mudar, é justamente nas orações nas Santas Missas, pois em geral só se reza para os seminaristas, padres,  e religiosas, não se reza pelos formandos da Vida Religiosa Consagrada, que são misturados com os seminaristas das diversas dioceses, e muito menos pelas jovens que estão em formação nas casas religiosas de formação, assim como os jovens formandos das casas religiosas: aspirantado, postulantado, noviciado, etapas preparatórias para a consagração dos jovens e das jovens que buscam a Vida Religiosa Consagrada e não a formação diocesana, pois o Seminário é o coração da Diocese (Decreto Optatam Totius, 5 [1294] e não das Famílias Religiosas, cujo coração são suas Casas de Formação que preparam os jovens e as jovens para o seu Carisma, para aquilo que lhes é essencial e imprescidível: a vida comum que é alimentada pelo Carisma dos fundadores e das fundadoras e quando, no caso das comunidades masculinas, o jovem tem vocação ao ministério ordenado, então é ordenado, e cuja ordenação não elimina aquilo que é eterno: os votos perpétuos, tendo o religioso ordenado uma dupla consagração, sendo a primeira, a consagração religiosa, ou seja: tal homem ordenado é também irmão ou frei, uma consagração não destrói a outra pela contrário: é uma graça a  mais e que também será cobrada: “a quem mais foi dado mais será cobrado”.

Pequenos detalhes que se tornam grandes no que tange à questão de veículo de uma identidade.

Vimos acima que quando alguém ouve a palavra: irmão, e não é membro ativo e consciente da comunidade católica apostólica romana, esse termo não transmite o que deveria transmitir e assim a própria dimensão vocacional de apresentação da vida de consagração diocesana e vida de consagração religiosa se perde e os jovens deixam de ter a oportunidade de se fazer perguntas sobre sua vocação.

Os termos padre e frei são dois termos que falam por si. Mais o termo padre, mas graças aos nossos irmãos e irmãs mais antigos, que herdaram dos mosteiros as dádivas divinas dos Conselhos Evangélicos ou Votos, do (a) Fundador (a), do Carisma, da Vida Fraterna e saíram com esses tesouros, agradecidos e contado com as orações contínuas dos irmãos e irmãs contemplativos, monges e monjas para viver a vida apostólica, recebemos as palavras: frei, frade, fray, frater.

Palavras essas, que ao longo dos séculos, guardou e guarda sua força para identificar um homem católico apostólico romano. Os termos que tem sua raiz no latim: frei, frade, fray, frater são tão fortes que raramente encontramos um outro grupo quer religioso ou não que faça uso deles para ser veículo de identidade de seu grupo. Até mesmo a palavra padre, sacerdote, presbítero são usados por outras comunidades religiosas para identificarem seus pares como os nossos irmãos anglicanos, nossos irmãos da igreja católica brasileira etc.

Esse pequeno grupo de irmãos/freis, frades, frays... que passaram adotar os termos a partir da raiz latina que nasceu na Idade Média -, que não foi uma idade de trevas, como querem alguns, - com nossos primeiros irmãos de vida apostólica, e palavra essa que perdura até hoje.

Temos total e absoluta certeza de que você que está lendo este texto está de acordo com essa constatação; pois se você é um irmão de algum Instituto Religioso e tem um irmão de sangue, ou se é vizinho de um irmão protestante, pentecostal, evangélico ou que faz pastoral em paróquias, colégios, hospitais, comunidades de morros e encostas, etc; você sabe do que estamos falando e  que essa constatação faz parte da realidade e não é fruto de mentes imaginativas; você que é irmão e que fez seus votos perpétuos os quais não são anulados pela ordenação diaconal, nem pela ordenação sacerdotal e nem mesmo pela ordenação episcopal, como já mencionamos acima, também sabe o que significa ser identificado e mesmo você nosso irmão e irmã de batismo, sabe o que significa ser sinal do Reino dos Céus!

De onde vem o termo: irmão?

A palavra: irmão, em sua origem, em latim, nossa língua mãe, não era um substantivo como agora, mas sim um adjetivo: germanus: legítimo, de verdade, de sangue... e aparecia, portanto, como um qualificativo de: frater, donde: frater germanus.

Ao longo das mutações operadas pelo povo, e, que é comum em todas as línguas, a palavra germanus foi transformada em substantivo pelo espanhol em: hermanus e o português criou o que temos hoje: irmão. Esse fenômeno que se manifesta na linguística do espanhol e do português não se deu com as línguas irmãs como o francês e o italiano: frère e fratello respectivamente, os quais mantiveram a raiz latina: frater, fratris.

E como nossos religiosos são reconhecidos na Europa que tem raízes latinas e indo-europeias? Como eles são reconhecidos pelo termo? O termo os identifica? Como eles se sentem?

O Ano da Vida Consagrada suscitou ainda mais o desejo de identidade no que já se vinha fazendo por pequenas gotas aqui e ali, lá e acolá, por religiosos que no mar de significados que a palavra irmão contém, passaram a fazer uso da palavra, com mais frequência, o que já vinha sendo feito de modo muito tímido por outros irmãos de décadas anteriores, talvez até você que está lendo, já usou um dia, principalmente se já ordenou, para transmitir uma identidade via nome que identifica missão/vocação ao invés de usar a palavra: irmão, que é palavra sinônima e que aparece nas Constituições ou Regras dos Institutos Religiosos e nos documentos oficias da Igreja para a América Latina e Caribe e que os literalistas ou “saduceus” têm dificuldade de apenas usar o sinônimo, nem estamos falando de interpretação, unicamente de palavra semelhante e que, por ser palavra sinônima.

Em verdade, em verdade, é o termo irmão que é sinônimo de frei, frade, fray, frater e não o contrário. E é um sinônimo apenas de semelhança e não de correspondência ou co-relatividade, pois o termo cujo raiz é latina, guarda, sem outras mesclas de significados: a identidade de um homem católico apostólico romano que fez sua consagração a Deus em uma Família Religiosa ou Instituto Religioso.

Quando os termos católicos: frei, fradre, frater, fray são usados  no lugar da palavra irmão, existe, por partes dos irmãos, em sua maioria, não o desejo de roubar esses termos dos nossos irmãos mais velhos na vida religiosa apostólicas: freis e frades... das Ordens, os quais lutam para manter esses termos porque têm uma história e razão de ser, e que infelizmente alguns estão dando um novo rumo, chamando-se de frei-padre e frei-não padre e, desse modo, desfigurando a essência original desse termo, que fala de um homem que professou seus votos e faz parte de uma Família Religiosa, e não porque sua Família Religiosa nasceu na Idade Média. Mas muito mais do que esse tipo de querela bizantina.

Quem busca fazer uso desse patrimônio da Vida Religiosa Consagrada  tem, em sua maioria, o desejo sincero de dizer algo profundo e sério para um consagrado: a sua doação absoluta a Deus Trindade via conselhos evangélicos ou votos, carisma, vividos na  vida fraterna: o tripé fundamental da Vida Religiosa Consagrada. Esse anelo foi reforçado ainda mais pelo Ano da Vida Consagrada e mais e mais religiosos passaram a fazer uso desses termos: frei, frade, frater, fray com a coragem dos grandes homens da Bíblia, como um dos seus inspiradores que aparece na imagem bíblica da Transfiguração: o profeta Elias e  que não era de tribo sacerdotal como o era Moisés. Elias era um frei ou frade ou fray ou frater ou irmão ou religioso não ordenado.

Sabendo que esses termos pertencem à vida e à missão da Igreja e que, por inspiração do Divino Espírito Santo, passaram a ser usados pelos irmãos de vida consagrada apostólica, das antigas ordens e que ao longo dos séculos acompanharam a caminhada da Igreja e que  hoje, como propriedade da Igreja, como patrimônio legítimo de fato e de direito, de todo homem católico apostólico romano que professa seus votos a Deus diante da Assembleia Eclesial reunida e  passa a pertencer a uma Família ou Instituto religioso a partir do votos de castidade, pobreza e obediência solenemente professados em público, isto é: diante de Deus Trindade e da comunidade reunida.

Esses termos: frei, frade, frater, fray, são vocábulos catequéticos, cuja função fundamental é: ajudar o Povo de Deus a ir cada vez mais entendo a realidade linda da vida religiosa consagrada e a realidade linda da vida diocesana e a realidade linda da vida laical. Manifestar que cada estado de vida na Igreja é uma realidade própria em si e diversa entre si sem todavia perder a unidade que é a essência da Igreja, que no seu ser reflete a unidade e a diversidade da Trindade Santíssima.

“As vocações à vida laical, ao ministério ordenado e à vida consagrada podem-se considerar paradigmáticas, um vez que todas as vocações particulares, sob um aspecto ou outro, se inspiram ou conduzem àquelas, assumidas separada ou conjuntamente, segundo a riqueza do dom de Deus.

Além disso, elas estão ao serviço uma das outras, em ordem ao crescimento do Corpo de Cristo na história e à sua missão mundo. Todos, na Igreja, são consagrados no Batismo e na Confirmação, mas o ministério ordenado e a vida consagrada supõem, cada qual, uma distinta vocação e uma forma específica de consagração, com vista a uma missão peculiar” (São João Paulo II, Exort. ap. pós-sinodal Vita Consecrata, no. 31,& 3).

Dessa maneira, podemos ver que os termos: frei, frade, frater, fray, que partem da entranhas de nossa língua mãe o latim, são termos que no meio da sociedade de hoje  buscam ser um sinal fulgurante o qual veicula uma história divina e humana, um projeto de vida para a construção do Reino de Deus a partir de uma herança que se transmite ao longo dos séculos e milênios.

E que começou com Jesus Cristo, o Nazareno, o Rabi da Galileia, o qual veio dar pleno cumprimento à Torá, à Palavra Revelada e que em são Antão foram lançadas as primeiras raízes, chegando aos mosteiros e desses às famílias religiosas e hoje num modelo novo: as Novas Comunidades e nelas os precisos votos em vasos de argila.   Essa é uma reflexão que também merece um grande debate.

Essas linhas acima são um convite a uma reflexão em torno de uma palavra e a busca de uma termo que seja uma veiculo que comunique melhor a beleza da vida de um homem católico apostólico romano, que tendo recebido a preciosidade do sacramento do Batismo, e com esse, o seu nome, tendo feito o seu noviciado, consagrou a sua vida total e absolutamente à Adorável Comunidade Perfeita a Santíssima Trindade, sendo um construtor do Reino, focalizando em seu agir, de modo especial, o múnus da profecia, e  tendo como solo fecundo a vida fraterna.

Assim como a questão de um irmão não ordenado ser o Superior de uma Família Religiosa onde também tenham irmãos ordenados, pois a vida religiosa consagrada tem sua base central e primeira na consagração que se dá pelos conselhos evangélicos que são anteriores à ordenação sacerdotal, existe uma primazia de ser que se manifesta no que é central no ensinamento do nosso Mestre: o primeiro consagrado, junto com sua mãe Maria Santíssima e também são José, seu pai nutrício: “e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos.” (Mc 10,44).

Portanto: teologicamente, não está no estado da ordem em si a prerrogativa de estar a frente de uma comunidade fraterna de votos, de conselhos evangélicos, mas sim na qualidade de ser serviço para os irmãos, testemunho do Mestre, o agir se da no dia-a-dia e não automaticamente pelo próprio estado de vida quer laical, clerical ou religioso.

​Será que o elemento canônico, que tem que ter fundamentação teológico-dogmática, quando impede um irmão não ordenado, que seria eleito, pelos seus irmãos de votos e de vida, justamente por seu serviço e amor à comunidade, pelo zelo devotado a seus irmãos, como Jesus Cristo desse modo ensinou, , e não puramente pelo sua dimensão hier.

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