Religiosos de Sion, 105 anos de presença no Brasil

Cristiano de Almeida


Há 105 anos, os Religiosos de Nossa Senhora de Sion chegavam ao Brasil. Nesta data importante para os Religiosos de Sion, vejo a importância de escrever algo sobre a aventura dos três primeiros padres sioniense em terras de Santa Cruz.

O ano de 2017 vem sendo olhado com grande carinho pelos religiosos por conta do Jubileu de 175 anos do Encontro de Nossa Senhora com um dos nossos Fundadores, o Padre Maria Aphonso, numa igreja de Roma.

Maria concretiza na vida de Padre Aphonso um sinal missionário que se estenderá por toda a Terra, de Roma ao Mundo. A ação missionária do Sim de Padre Maria conduziu outros missionários ao serviço da Palavra de Deus e na ação evangelizadora no território brasileiro.

 Busco conduzir o leitor a uma leitura histórica dos fatos ocorridos, a partir de autores conhecidos para nós como Padre Colson, Padre Givelet e Padre Bavoso.  Algumas fontes são estudadas e apresentadas pela primeira vez: os Arquivos da Cúria de São Paulo (Livro Tombo, Atas Curiais e Cartas), as crônicas e histórias narradas pelos nossos confrades em Revistas e Periódicos de Sion, ou na tradição oral contada por aqueles conviveram com os padres missionários.

O artigo vem para reavivar a consciência desta data tão querida para nós, religiosos e amigos de Sion do Brasil. Vem fazer memória daqueles pioneiros que, não obstante as dificuldades de língua, moradia e cultura, buscaram ser Sion na vida da Igreja do Brasil, na vida do povo com o qual conviveram e partilharam da vida.

Que os três missionários possam servir de exemplo na nossa vida atual em Sion; que possamos cuidar da herança deixada por eles em nossas obras atuais. Que sejamos Sion em Sion e por Sion.

Boa Festa e leitura.

Em 17 de setembro de 1912, os Religiosos de Nossa Senhora de Sion, então chamados Missionaires de Notre Dame de Sion, oficialmente começaram em terras brasileiras sua missão evangelizadora. Contudo, esta história começa quatro ou cinco anos antes de sua chegada às terras de Santa Cruz.

O Superior Geral dos Missionários de Sion na época era o Padre Marc Givelet[1]. Padre Colson, em seus escritos, declara com todo o entusiasmo a sua simpatia, dizendo que o Superior Geral foi “sempre cuidadoso em alargar o campo de ação missionaria da Congregação”[2]. Padre Givelet foi reeleito Superior no Quinto Capítulo Geral[3], em uma eleição que teve lugar no escritório do arcebispado de Paris no dia 5 de agosto de 1910. Além de muitas outras questões, neste Capítulo decidiu-se sobre inúmeras obras de apostolado, que já estavam estabelecidas em Jerusalém, Louvain, Esmirna e Paris, e outras que poderiam vir a ser estabelecidas, além de algumas normas e práticas religiosas para a Congregação. Começava então a brotar a ideia de uma missão na América Latina. Mas não foi ainda em 1910 que o Capítulo decidiu pela viagem missionária ao Brasil; isso aconteceria somente em 1912.

1.1 “1908”, um religioso de Sion no Brasil

Padre Colson citou em seu livro um relatório do padre Givelet que falava sobre o pedido que as Religiosas de Sion fizeram aos Padres.

As religiosas de Nossa Senhora de Sion, estabelecidas no Brasil depois de 1889, e que aí são muito conhecidas pela sua obra de educação das moças da alta sociedade, tinham, repetidas vezes, pedido aos Padres que se juntassem a elas no ‘teatro’ de seu fecundo apostolado. Eles poderiam vir em auxílio das irmãs no serviço espiritual dos pensionatos e depois, uma vez aberta a porta, lançar-se em um campo de ação mais vasto, e satisfazer as necessidades religiosas de uma população muitas vezes privada da presença do padre e dos socorros de seu ministério.[4]

É certo que em 1908 o padre Givelet fez uma viagem ao Brasil. “O Padre partiu para a América, deixando (...) algumas roupas e outros pertences”[5], contam os Annales de la Mission NDS à Terre-Sainte, de 1908. Os detalhes de sua chegada estão ainda incertos; não se sabe ainda se o primeiro destino foi Petrópolis, na casa das Irmãs de Sion, ou em São Paulo; quais tenham sido suas ações e seus movimentos. Certo porém, é que o Padre Givelet esteve na cidade de Curitiba. A Madre Marie Agatha, que aí residia, escreveu uma carta ao Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva[6] no dia 22 de dezembro de 1908, contando sobre os acontecimentos na comunidade e a partida do visitante: “Padre Givelet partiu deixando nossas almas reconfortadas pela sua palavra luminosa e prática mantido pelo espírito de nosso Venerável Padre Fundador...”[7].

Segundo o Padre Bavoso, após empreender esta viagem ao Brasil, o Padre Marcos pregou inúmeros retiros às Religiosas de Sion.

Os Annales de la Mission de NDS à Terre-Sainte, de 1909, número 122, contam que o Padre Superior não se encontrava em Jerusalém, pois fora pessoalmente cuidar de alguns interesses da Congregação no Brasil. “O Reverendo Padre Superior deveu-se abster alguns meses para ir ao Brasil onde o chamaram à causa de ‘graves interesses’.” Esta viagem ao Brasil dá-lhe grandes esperanças de construir neste país algo novo, dando força à Missão de Sion no continente americano.

O acolhimento que lhe foi feito, as reflexões que ouviu, a perspectiva de um grande bem a se conquistar para a Congregação; vocações mais numerosas, atraídas pelo desejo das Missões longínquas; tudo contribuiu para fortificar-lhe o desejo de aí abrir uma casa, cujo fim seria a consagração ao múnus das missões rurais brasileiras e no trabalho conjunto com as capelanias de Sion.[8]

Padre Bavoso, em seus escritos, conta que o Padre Superior, chegando ao Brasil, “seu coração não pôde deixar de observar a grande falta de clero. Vastas paróquias, regiões imensas sem sacerdotes. A messe estava madura e faltavam os obreiros.”[9]

Possivelmente, o Padre Givelet retornou a Jerusalém em Agosto de 1909; pois, segundo os Annales, ele entregou às Irmãs um grande título, que fora dado pelo Papa Pio X para a “Associação de Oração pela Conversão de Israel”. É possível que, vindo do Brasil, padre Givelet tenha ido direto para Roma, depois para Paris, ou o contrário; contudo, ele traz uma benção apostólica à Associação em Jerusalém. Mas a certeza sobre o Brasil fazia seu coração arder; ele retornara com a decisão tomada: “Superior Geral de uma família religiosa o Padre Marc tomara sua decisão.”

1.2 Renúncia, novas eleições e missão

Padre Givelet, em julho de 1912 pede demissão de seu cargo de Superior Geral, após 19 anos na função. Após consultar seu Conselho, e em vista de novos 10 padres recém-ordenados, o Padre Superior acha por bem deixar o cargo e iniciar uma nova missão em sua vida. Segundo Padre Colson, ele queria iniciar a todo custo uma Missão no Brasil, que há anos vinha planejando. Já se tinham passado 4 anos desde sua viagem ao Brasil. Era necessário enviar religiosos para lá. Possivelmente a Congregação não tinha religiosos corajosos o bastante para abraçar a missão. Em contrapartida, as missões já realizadas fora da França já consumiam as energias de nossos religiosos. Por acreditar que ele mesmo deveria assumir esta missão, Padre Givelet entregou às mãos do Cardeal de Paris a decisão de convocar um novo Capítulo, que se realizaria na Casa-Mãe em Paris, nos dias 1 e 2 de julho do mesmo ano.

Com a eleição realizada, Padre Henri Schaffner foi eleito Superior Geral; e após uma grande festa em homenagem àquele que deixava o cargo, o capítulo foi encerrado. E a missão deveria ser colocada em prática o mais rápido possível.
Em 1911, padre Arnaldo Dante, italiano, foi ordenado presbítero; havia entrado na Comunidade de Issy com seu irmão Henrico[10] em 1897. Padre Dante foi escolhido para a Missão juntamente com o Padre Charles Hoare, de origem inglesa. Este, depois de alguns anos como jesuíta, pede para ser admitido no noviciado em Louvain, em 1906, sendo ordenado sacerdorte em 1912.

1.3 “17 de Setembro”, o dia em que a missão começou

Com a equipe formada, os Padres Givelet (francês), Dante (italiano) e Hoare (inglês), partem para a missão no Brasil. Eles saíram de Paris em direção ao porto da cidade de Cherbourg[11], e embarcam num navio inglês chamado “Arlanza”, um navio a vapor, extremamente novo, apenas 1 ano desde a sua fabricação. Entraram no navio do capitão James Pops com bilhetes da segunda classe. No dia 30 de agosto, começava a aventura dos padres missionários que, diga-se de passagem, não sabiam uma palavra da Língua Portuguesa.

A bordo do grande navio transatlântico a vapor, os padres rezaram todos os dias a missa.

A travessia foi excelente em seu conjunto; todas as manhãs, numa salinha colocada graciosamente à sua disposição, os três padres ofereciam o Santo Sacrifício: puderam assim, aos domingos, assegurar a celebração da missa nas três classes, para os passageiros que faziam questão de não negligenciar a santificação do dia do Senhor.[12]

Os pioneiros da obra de Nossa Senhora de Sion cruzaram as águas do Atlântico durante 15 dias; fizeram ao todo seis paradas: Lisboa, Madeira, Vigo, Pernambuco, Bahia e Rio, constando esta informação na carta de navegação do navio Arlanza. Ao avistarem as terras brasileiras, escreve Padre Givelet:

A terra do Brasil, terra "da Santa Cruz", que avistaríamos pela primeira vez ao largo de Pernambuco no dia 12 de setembro, festa religiosa do santo nome de Maria, revelou-se em todo seu esplendor a nossos olhos fascinados.[13]

No dia 16, eles fazem a última parada antes de chegarem ao seu destino final. Entrando no Rio de Janeiro, os padres dão seu testemunho:

No dia 16, entramos na incomparável baía do Rio de Janeiro. O espetáculo é incomparável e foi muitas vezes descrito por hábeis artistas da pena ou do pincel que de modo algum exageraram sua beleza: o mar, as montanhas que escalavam grandiosas no fundo do horizonte; as colinas mais próximas sobre as quais  acampam imensas aglomerações de palácios e de casas; as costas da baía cortadas por incomparáveis avenidas; profundas alamedas separando os diversos quarteirões e bairros da capital, uma vegetação sem rival, o sol dos trópicos, enfim tudo contribui para fazer do Rio uma das maravilhas do mundo.[14]

Chegando no dia seguinte ao Porto de Santos, os três padres missionários tiveram que passar pelo Controle de Imigração. Na lista de passageiros do dia 17 de setembro de 1912, aparecem os nomes dos três sacerdotes de Sion. Além dos nomes, a lista conta outras informações dos passageiros[15] como: Porto de embarque, classe, idade, sexo, estado civil, nacionalidade, profissão, religião, instrução, a última residência, bagagens e observações.

O padre Givelet, conta com idade de 51 anos, francês, sacerdote, católico, com residência em Paris. O Padre Dante com idade de 27 anos, italiano, sacerdote, católico e residente em Paris. Já o Padre Hoare, com idade de 28 anos, inglês, sacerdote, porém na coluna de religião, colocaram como protestante, com residência em Paris. A pessoa que cuidava da imigração pode ter ouvido mal ou deduzido precipitada e erroneamente, por sua origem inglesa, que o padre Hoare fosse um ministro anglicano.

Sobre a chegada, pela madrugada, Padre Givelet diz:

Chegamos de madrugada ao fim de nossa longa travessia; eis-nos em Santos, porto comercial de São Paulo e de muitos estados que são seus tributários. Esta cidade que cresce todos os dias é sem duvida o centro mundial mais importante para a exportação do café, ‘sangue do Brasil’. Santos, outrora o terror dos navegantes, que temiam o espectro da febre amarela, é hoje uma cidade perfeitamente saudável.[16]

O capelão das Religiosas de Sion no Higienópolis, Don Denys Verdin, osb, veio pessoalmente ao encontro dos padres, a dar-lhes as boas vindas; ajuda-os com as questões da imigração e das bagagens. Serão 80 quilômetros até a cidade de São Paulo. Em alguns relatos, Padre Givelet conta como foi a subida pela famosa Serra de Santos. “De vez em quando a gente se depara com o mar, ora com as florestas virgens, rochedos enormes e cascatas pitorescas, em rápidas visões ao largo... desperta na alma impressões de admirações e estupor.”[17]

Os missionários ficaram alojados numa casa de uma ex-aluna de Sion em Higienópolis, na rua Maria Antônia, 40. Ficariam nesta casa até o dia em que assumiriam a Paróquia do Cambuci[18] em 1915.

Padre Givelet, no dia 19 de setembro, não tarda em apresentar ao arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, os padres e envia a ele o pedido de Uso de Ordem. “Tenho a honra de solicitação da administração necessária para as faculdades ordinárias para os ministérios da confissão e da predicação, em favor dos três padres missionários de Nossa Senhora de Sion recentemente chegados a esta cidade...”[19].

No dia 21 de setembro começaram as aulas de português; para tanto as Religiosas mandaram um professor, senhor Kruppeln, professor segundo as crônicas, “muito instruído, difícil de satisfazer, meticuloso, paciente, religioso e leal.”[20] Diz o Padre Dante,

(...) no dia 21 do mesmo mês iniciamos nossas aulas de português. O Dr Kruppeln encarregou-se de, por amor de Deus, dar-nos  ao menos as primeiras lições. Com uma abnegação verdadeiramente cristã, muito embora tivesse numerosos encargos, ele nos dedicava diariamente uma hora, uma hora e meia ate mesmo duas horas. No principio tudo ia a mil maravilhas “trop bien meme”. Depois aos poucos surgem as dificuldades. Morosos foram-se tornando nossos progressos na língua de Camões. Tínhamos, é verdade, o dia inteiro para estudar. Entretanto, fora das aulas não encontrávamos com quem falar.[21]

Segundo o Padre Givelet, a Língua Portuguesa sempre foi uma dificuldade, “os primeiros missionários se puseram corajosamente, desde sua chegada, a estudar a Língua Portuguesa; missão difícil, e da qual nunca chegaram ao fim com pleno sucesso (...)”.[22]

1.3.1 Saindo em missão

Trottez gaiment, mules agiles
Le long des bois et des ravins
En nous portant soyez dociles
Et vous aurez des doux festins[23]

Esta é canção cantada pelos missionários, diz padre Hoare: “Cavalgando pelas florestas, entre vales e montanhas, nós gostávamos de repetir o estribilho cantando outrora em Herent.”[24]

A missão, de fato, começa no dia 17 de setembro; porém, os padres trancados na comunidade do Higienópolis, não puderam fazer muito além de atender as confissões das religiosas de Sion ou de alguém que falava a língua dos três missionários (francês, italiano ou inglês). Contudo, após um mês em terras brasileiras, nossos padres foram apresentados ao Padre Luiz Maria Rossi, um jesuíta, missionário e co-Fundador[25] da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada.

Padre Dante, conta seu testemunho:

Foi no mês de outubro que nos encontramos pela primeira vez com o Padre Rossi, sj. Tal encontro trouxe consigo a mais feliz das soluções.

Certo dia, por ocasião do jantar, o Pe Givelet comunica-nos a inesperada nova. O Padre Rossi com o consentimento do Sr Arcebispo convidava-nos para que o acompanhássemos como auxiliares em suas missões a fim de formar-nos em tão importante ministério. Isto se passava na tarde de 4 de dezembro.

Às 4 e meia da tarde do dia 5 de dezembro deixamos São Paulo os Padres Rossi, Givelet e eu, com destino a Bragança.[26]

É de magna importância dizer que, segundo o Padre Bavoso, Padre Dante não estava muito contente em sair em missão. Segundo as palavras do Pe Dante, “o que fazer nas missões, sem saber uma palavra sequer de português? Não seria eu, por ventura, um empecilho ao Padre Rossi, que nos acolhia com tamanhas demonstrações de afeição?”[27]

A Língua Portuguesa foi uma dificuldade para os padres; porém eles se lançaram à missão, embora com cuidado, contando sempre com a ajuda do Padre Rossi. Padre Hoare junta-se à missão no interior substituindo o Padre Givelet, que retornava a São Paulo, onde era capelão do Colégio do Higienópolis.

1.3.1.1 Bragança Paulista

Após os padres receberem as autorizações para a missão, tanto do Arcebispo Dom Duarte quanto do Superior dos Jesuítas para a união da missão jesuíta-sioniense, saíram de São Paulo para Bragança Paulista, situada a 70 quilômetros da capital.

“Bragança, bela cidadezinha de seis a sete mil habitantes (...) construída quase que inteiramente sobre o topo de uma colina no centro de montanhas que lhe formam uma imponente coroa”, relata padre Colson. Os dois missionários descobrem na cidade um povo simples, interiorano. Antes de começar as pregações, as confissões, as catequeses, eles tiveram que se habituar ao modo de ser do povo, descobrir-lhe os costumes e as peculiaridades do falar local.

Padre Hoare, apenas chegando à missão, já teve que retornar a São Paulo para substituir Padre Givelet no Colégio em São Paulo, pois o capelão oficial tinha que ir ao Rio de Janeiro, para pregar um retiro espiritual às irmãs de lá.

Padre Bavoso destaca em seus escritos que, com a saída do Padre Hoare, o padre italiano começou a fazer suas saídas, conhecer os arredores da cidade. A missão tinha um regulamento e Padre Dante não quebrava a regra. “Missa com sermão e cânticos às 7 horas. Ao meio dia ou em outra hora da tarde, catecismo. Às 7 da noite, recitação do terço, seguido do canto do Salve Regina em português e de um sermão, ao qual se seguia a benção do Santíssimo Sacramento e as confissões.”[28]

Padre Dante teria ido visitar uma capela ao lado de Braganca, chamada Santa Cecília, um povoado situado à meia hora da cidade. Padre Rossi, já cansado e sobrecarregado dos trabalhos, colocou o Pe Dante no púlpito. Padre Dante narra a experiência.

A gente treme um pouco antes de se expressar numa língua que se ignora ainda. Todavia, assim mesmo, preguei cinco ou seis vezes em Santa Cecília. O Sermão da tarde é sobremodo fatigante, porque deve ser bastante longo e nele se deve lembrar ao povo as grandes verdades, ou seja, a morte, juízo, inferno, paraíso. As palavras não vem e a gente se vê obrigado a guardar muitas ideias. Malgrado tudo isso abençoou Deus o meu pequeno ministério. Quantas confissões ouvidas! Quantas comunhões distribuídas.[29]

Os Padres Rossi e Hoare retornaram de São Paulo. Padre Dante, continuando sua missão na capela de Santa Cecília, teve que atender uma fazenda; para isso ele dedicou os dias 18, 19 e 20 de janeiro de 1913. Atuando na fazenda chamada Santa Luzia, coube ao padre italiano a festa de São Sebastiao; o missionário teve que acompanhar a imagem do santo no percurso de 5 a 6 quilometro numa procissão ao sol forte do interior do Brasil.

Antes de terminar a missão nas duas capelas (Santa Cecilia e Santa Luzia), o Padre Dante teve que ir a São Paulo, substituir o Padre Givelet que tinha uma missão em Campanha.

A 2 de fevereiro os Padre Dante e Hoare retornam para a missão em Bragança; agora eles ficariam aproximadamente 8 dias. Padre Bavoso narra que fizeram uma pergunta ao Padre Dante sobre como poderiam dois padres europeus ajudar este povo. A resposta do padre italiano era a seguinte:

"O bem é imenso, sobretudo nas capelas rurais, onde a gente simples do campo, sobremodo ignorante, tem uma veneração excepcional pelo missionário... tão logo avistam a cruz em nosso peito, chamam-nos de santos... as comunhões e as confissões são numerosas. Dá-se um golpe às uniões ilegítimas. Nas fazendas os agregados obedecem mais facilmente aos patrões".[30]

Terminados os dias de missões na região de São José do Taboão e Santa Cruz do Itapichinga, no dia 9 de fevereiro de 1913, os padres vão para a região que o bispo de Sorocaba lhes determina, o distrito de Piracaia.

Porém, antes de ir, Padre Dante ganha o titulo de Orador, dado por um grupo de senhores da cidade, narra padre Colson.[31]

1.3.1.2 Piracaia

Sete meses duraria a missão de nossos missionários no distrito de Piracaia; 7 meses dedicados ao trabalho de evangelização, do catecismo e das santas missas, para o povo simples do interior.

O texto seguinte é elaborado pelo Padre Bavoso.

“No dia seguinte, em atenção ao pedido do senhor arcebispo, deixam Braganca. No mesmo dia alcançam Água Cumprida, onde são recebidos pelo Capitão Fernando, amigo e convertido do Padre Rossi. De Água Cumprida seguem para Morro Grande, sempre no distrito de Braganca. Em Morro Grande presenciam fato extraordinário. Tao logo aí chegaram os missionários, deles se acercou um roceiro que lhes perguntou. Senhor Padre, não tem reza hoje? Se quiserem, responderam os padres.

Mal estes haviam assentido, saíram o caboclo e muitos outros a fim de anunciar aos habitantes do lugar e vizinhanças que os missionários estavam em Morro Grande e que ‘fariam reza aquela noite’. E o povo acudiu numeroso.

Depois de dois dias passados entre aquele povo simples, partem os padres para Santo Antônio, lugar da nova missão. Enquanto o padre Dante prega no bairro Cubas o Padre Hoare faz o mesmo na Fazenda Fortaleza, propriedade do Coronel Thomas Cunha, que se tornou grande amigo e admirador dos novos missionários.

Aí, como nos outros lugares, o trabalho foi intenso. A missão durou do dia 13 de fevereiro ao dia 2 de março. Mal haviam acabado a trabalhosa missão dos Cubas e da Fazenda Fortaleza, tinham que começar uma outra no dia 7 de março, agora em Piracaia. Aí foram ajudados pelo seu mestre, o Padre Rossi.

Pe Hoare deve deixar Piracaia, porque o Padre Givelet precisa dele em São Paulo. Não poderá, portanto, assistir às tão curiosas cerimonias da Semana Santa no interior. Interessante observação feita pelo padre Dante sobre a Sexta-feira Santa: ‘Esse é o grande dia no Brasil. Ninguém pode faltar à procissão do enterro. Pode-se faltar à missa de Pascoa, não porém à tradicional procissão de Sexta-Feira Santa, para o que se faz às vezes até 20 quilômetros a pé.’

Somos naturalmente levados a perguntar: ‘Recebiam alguma remuneração esses valorosos batalhadores da messe de Cristo?’ ‘Sim!’ O povo, acabada a missão, depositava sua esmola no altar. No bairro dos Cubas, por exemplo, depois de 17 trabalhosos dias de missão, arrecadaram apenas 100 mil reis. Em uma outra fazenda, depois de 10 dias recebem um pouco mais, 200 mil reis, graças à generosidade do proprietário.

E as missões se sucedem uma após a outra nas redondezas de Piracaia. São Braz, Fazenda Sant’Anna, recebem a palavra divina. Alguns dias de interrupção, pois os padres partiram para São Paulo a fim de aí ajudarem na festa onomástica do padre Givelet. Apenas 5 dias de repouso. Agora o superior, tomando o lugar do Padre Hoare, parte para as missões.”[32]

A missão não terminada, os jovens missionários de Sion, junto com o Padre Rossi, chegavam a fazer de 5 a 6 pregações no mesmo dia. O texto do Padre Bavoso conta que mesmo com a falta de instrução do povo, grande era a sua fé, e isso já valeria a pena. Foram 7 meses de dedicação no distrito de Piracaia.
Pensou-se em ter uma paróquia em Piracaia; porém, como o bispo não dera o título de vigários aos nossos padres, eles não quiseram ficar somente como “empregados espirituais”.

O Papa Pio X dignou-se a dar para a Missão dos Padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil uma benção especial. Os padres missionários recebem a noticia a partir do Superior Geral.

1.3.1.3 Paróquia de Nossa Senhora do Rosário

Narração do Padre Bavoso[33]:

O Reverendíssimo padre Rossi estimava, o que era natural, os seus incansáveis colaboradores das missões. Conhecedor que era dos problemas desses noveis missionários, chegados, não fazia muito da velha Europa, interessou se vivamente por eles. Chegou mesmo a advogar a sua causa junto do senhor Arcebispo de São Paulo, que, em atenção ao seu pedido e aos méritos dos padres, “confiou-lhes a Igreja do Rosário em Bragança.”[34]

É interessante notar que missionários da Virgem de Sion, a primeira Igreja a ser-lhes confiada, no Brasil, foi a de Nossa Senhora do Rosário.

No dia 8 de setembro em Braganca encontra-se apenas o padre Hoare. “É ele quem se ocupa da instalação da segunda casa dos padres de Sion no brasil. Igreja e residência paroquial estavam desprovidas de tudo. Foi a caridade das Irmãzinhas da Imaculada e, sobretudo, das Irmãs de Sion de São Paulo que supriu a essa deficiência.”[35]

“No dia 5 de outubro celebrava-se a festa do Santo Rosário. Tudo estava preparado para que os padres tomassem posse oficialmente da Igreja do Rosário. O povo fez questão de celebrar o acontecimento com bastante solenidade.
Raiou o dia 5. Comunhão geral às 7h. As 9h o reverendo Conego Jose Aguirre cantou a Missa. A tarde grandiosa procissão, finda a qual o sermão e o Te Deum solenes.”[36]

“Todas as noites o terço era recitado publicamente. A missa era celebrada na Igreja do Rosário só duas vezes por semana. Nos outros dias os padres atendiam as comunidades religiosas existentes então em Bragança.”[37]

Estava, pois, lançada a primeira pedra de uma fundação (...). Isto, porém, não deu resultado.

1.3.1.4 São José do Rio Preto

Em 1914, estava de passagem por Paris o arcebispo de São Paulo Dom Duarte Leopoldo e Silva, o qual se encontrou com o Superior Geral, Henri Schaffner. Nesta conversa o Superior pediu ao bispo de São Paulo que apontasse uma paróquia aos padres de Sion, pelo exímio trabalho exercício até então e pela honraria dada pelo próprio papa Pio X à missão do Brasil. O Arcebispo de São Paulo “indicou-nos a paroquia de Rio Preto, situada na diocese de São Carlos, ao norte do estado de São Paulo.”[38]

De volta a São Paulo, Dom Duarte nomeia Padre Dante como vigário da Paróquia São José, diz padre Bavoso.[39] Padre Hoare vai preparar os caminhos; porém, ao chegar a Rio Preto, ele não é bem recebido pelo vigário atual da Paróquia; este, sabendo que ia ser substituído, foi junto ao arcebispo protestar. E assim não tivemos melhor resultado que senão renunciar a oferta do senhor arcebispo, diz Padre Givelet.[40]

1.3.1.5 Santa Generosa

O bispo Dom José Homem de Mello, após mudar de ideia de confiar a Paroquia de São José aos padres missionários, resolveu oferecer uma capelania: eles estariam a serviço das Irmãs Belgas de Santo André; a oferta, contudo, não foi aceita.

O bispo Dom Duarte, então oferece aos padres de Sion a Paróquia Santa Generosa. Padre Dante foi nomeado vigário[41]. A Paróquia ainda não tinha nem casa paroquial nem templo ainda terminado; foi confiada ao Cônego Franco, e o Bispo de São Paulo ofereceu então aos padres a primeira paróquia na cidade de São Paulo dos padres de Sion, a Paroquia São Joaquim e Nossa Senhora da Glória, no Cambuci.

1.3.1.6 São Joaquim e Nossa Senhora da Glória do Cambuci

Após inúmeras tentativas de estabelecimento, nossos padres chegaram ao um acordo com o arcebispo Dom Duarte; eles recebem a Paróquia São Joaquim no Cambuci. Uma região com aproximadamente 35 mil habitantes, em grande parte italiana; segundo o padre Colson, era a mais extensa de toda a cidade, compreendia os bairros Vila Mariana, Ipiranga e Bosque da Saúde.

Nossa Igreja paroquial vista de longe é feita no estilo da Basílica de Lourdes. Mas entrando se sente um desencanto: trata-se de uma pequena capela e o resto da igreja é tomado por salas e quartos laterais. A igreja não foi feita para ser uma paroquia, mas sim por causa da promessa; e é somente após o proprietário tê-la passado a Mitra, que o arcebispo fez dela uma paróquia. Ela tem 25 anos.[42]

Nossos padres tomam posse da paróquia no dia 7 de fevereiro de 1915. De acordo com o Livro Tombo da Paróquia do Cambuci, datado de 1915, Padre Dante abriu o Tombo no dia 26 de janeiro de 1915, lá constam os elogios dados do padre de Sion ao antigo vigário, Cônego Luiz Sangirardi. “Tendo sido nomeado pároco desta paróquia por provisão de 26 de janeiro de 1915, começo hoje a escrituração deste livro que encontrei em dia, digo, com atraso de um mês.”[43]

O livro ainda mostra como foram à posse e a provisão dada pelo arcebispo para o governo da Igreja ao Padre Dante, vigário e ao Padre Hoare, coadjutor. Estavam presentes na posse o Conego Luiz Sangirardi, o Padre Dante, o Padre Givelet, o Padre Hoare e o Padre Jean-Pierre Fusing[44]. Nos arquivos da Cúria de São Paulo, consta a Profissão de Fé feita pelo Vigário do Cambuci e um pedido de Binação[45] ao coadjutor e ao Padre Fusing[46], no dia 30 de janeiro de 1915.

Nossa ligação com as Religiosas nunca foi quebrado. A capelania do Colégio estava com o Padre Givelet, que tinha por auxiliares os outros padres de Sion. A ligação entre irmãos e irmãs de Sion era tamanha que no dia 08 de fevereiro de 1915 foi feita uma Romaria do Colégio de Sion, do Higienópolis para a paróquia[47]. Chegaram por volta da missa das 10h, e foram as Religiosas e as crianças que animaram a celebração com cantos, orações e ladainhas, e após a celebração houve adoração ao Santíssimo Sacramento, constando isso no livro Tombo da Paróquia.[48]

Havia o desejo nos padres de Sion de fazer da Igreja Nossa Senhora de Glória, que fica ao lado da Igreja de São Joaquim, um lugar de peregrinação. “Perto da Igreja há uma capelinha dedicada a Nossa senhora de Lourdes. Nós gostaríamos de fazer dela um centro de peregrinações, mas para isto era preciso que Nossa Senhora de Lourdes fizesse alguns milagres para atrair fiéis”[49], narra padre Hoare.

Além da Igreja propriamente do Cambuci, constava no território da paróquia, outras pequenas capelas: a Capela do Asilo das Irmãzinhas da Imaculada Conceição[50] e a Capela do Bom Pastor do Horto, das Irmãs do Bom Pastor – antigo convento localizado na Rua Bom Pastor no Ipiranga –, elas ofereceram o espaço de sua capela para a celebração da missa e catequese ao povo do Ipiranga.
Em junho de 1913, Padre Dante abençoou a Pia Batismal na Igreja do Bom Pastor, para assim poder administrar o sacramento ao povo do bairro segundo o Livro do Tombo.[51]

Neste mesmo ínterim, a Madre Maria Augusta, nds, pediu ao arcebispo de São Paulo que desse a provisão de capelão do Colégio por mais 3 anos ao Padre Givelet, assim ele teria o direito de administrar os sacramentos às religiosas de Sion e às estudantes.[52]

O trabalho no Cambuci vai sendo desenvolvido sob a administração do Padre Dante até 1918. Após esta data, Padre Hoare assume o serviço de vigário. Os Padres de Sion desenvolveram nesta região periférica do arcebispado um grande trabalho. Vemos nas estáticas do Livro Tombo uma crescente elevação dos números quanto ao batismo, à eucaristia, ao casamento etc., além da participação do povo nas festas paroquiais.

O povo do Cambuci teve a oportunidade de conhecer nossos Padres Missionários no auge do vigor missionário. Mesmo nas dificuldades de língua ou de cultura, nossos padres buscaram dar ao povo de São Paulo aquilo que é próprio de Sion, deixaram nossos nomes na história escrita e na história oral.

Conclusão

O sonho de nossos Padres é ter uma propriedade de Sion, sem depender da doação ou empréstimo de um bispo, padres ou das religiosas de Sion. Quer os padres desenvolver seu ministério dentro do objetivo que o fizeram vir ao Brasil, ou seja, a Missão e Oração pelo Povo de Israel.

Com o conhecimento já do bairro do Ipiranga – pois pertencia à Paróquia do Cambuci-, os padres acharam aí um lugar para adquirir e construir aquilo que conhecemos hoje: a Paróquia de São José, o Colégio Sion-Ipiranga, o antigo Seminário-Maior – hoje subprefeitura do Ipiranga.

A propriedade que conhecemos hoje foi adquirida por volta de 16 de março de 1916. Também neste período o nome jurídico “Theodoro Ratisbonne” nascera. A Igreja de São José, hoje com 98 anos, às vésperas, portanto, de seu centenário.

E os religiosos missionários de Sion?

Quanto ao Padre Hoare, fica a impressão de que ele tinha saudades dos tempos em que cavalgava pelo interior do Brasil, conhecendo vilarejos novos, capelas novas, povos sedentos pela religião. “Quando tivermos um número suficiente, poderemos retomar a vida das missões com nosso centro em São Paulo”[53], diz padre Hoare. Assim que houve a aquisição do terreno no Ipiranga, para aí se mudou; depois se tornaria padre do Cambuci, em 1918, porém tem que deixar a paróquia.

O Padre Dante, pedindo para se ausentar da Igreja do Cambuci, teve que retornar alguns meses depois. O Padre Hoare cairia doente[54]; e ali o padre italiano ficaria por mais anos. Porém, dedicando-se àquilo que era o sonho de Sion, a construção da propriedade dos Padres de Sion. “Os padres empregados no Brasil são trabalhadores esforçados; não reclamam de suas dificuldades e se devotam sem medida, às vezes até demais, e com certa inexperiência do bem possível, a seus esforços e dos limites que a prudência deve impor ao zelo mais puro e mais sobrenatural.”[55]

Padre Givelet, como capelão das Irmãs no Higienópolis, consegue com o tempo desenvolver o carisma da Congregação nas questões como: Apostolado e Oração por Israel (que se concretiza com Estatuto e aprovação da arquidiocese em 17 de fevereiro de 1922[56]) e na organização das futuras instalações no Ipiranga.

Neste período, outros religiosos vêm ao Brasil, como o Irmão Charles Ridpath[57], que chegou em abril de 1915. Foi um dos grandes idealizadores para a construção das propriedades de Sion no Ipiranga. Sem medo, buscou ajuda, pedindo donativos para a construção das propriedades do Ipiranga. “Das coletas incessantes do Ir Ridpath conseguimos guardar em média de 5 a 6 contos por anos.”[58]

Outros religiosos ainda vieram para o Brasil neste período, como: o Padre Ernest Pilati, Padre Luciano Rongé, Henri Colson entre outros.

E quanto à Europa e Jerusalém? Mergulhados na guerra, os novos religiosos deveriam se apresentar aos exércitos e oferecer seus serviços como capelães ou enfermeiros. A preocupação dos missionários no Brasil era constante aos confrades na Europa.

Não há dia em que não teçamos comentários sobre a guerra, sobre nossos irmãos soldados que vivem nas trincheiras, ou que trabalham junto aos doentes, e nos unimos às orações deles para uma paz próxima, após uma decisiva vitória. E desejamos que a Sionienne leve a todos os nossos queridos soldados a certeza que a Sion do Brasil pensa neles, fala deles e reza por eles.[59]

Foi, há 105 anos, a esperança e a fé de nossos irmãos missionários que deram à Missão Sion-Brasil o vigor, a base e as colunas para o sustento de nossa presença até hoje no Brasil.

Nela poder-se-á absorver a invencível esperança de um futuro fecundo, reservado à nossa humilde missão do Brasil; tão claramente sustentada pela liberalidade divina, ela não espera, para dar frutos abundantes, senão um devotamento, uma perseverança e uma fidelidade, a sua gloriosa vocação, daqueles que serão chamados a nela consagrar sua vida. [60]

Este texto não pretende concluir o assunto que ainda está em curso, a saber, da História da Congregação do Brasil. Oxalá que nossos posteriores possam incrementar a história aqui narrada e transmiti-la as futuras gerações.

 São Paulo, 05 de Setembro de 2017

​Notas:
[1] Padre Givelet, nasceu na cidade de Reims, na França em 4 de julho de 1856. Fez seus estudos teológicos no Seminário de Saint Sulpice. Ele foi padre da pequena Comunidade de Issy. Em 1886, ele aceita junto com sua comunidade a fusão da Comunidade com os poucos padres de Sion que estava sob a custódia do Padre Courtade, primeiro Superior Geral de Sion, após a morte dos Fundadores em 1884. Padre Leddrappier que sucedeu o Padre Courtade convoca um Capítulo, onde os padres ali reunidos decidem constituir-se em Congregação pela emissão dos votos que se dão no dia de 25 de julho, do mesmo ano, recebido pelo Cardeal de Paris, Dom Richard. Após foi procedido às eleições para Superior Geral e Conselho, no qual Padre Givelet é eleito.

[2] COLSON, Henri. História da Congregação, 1955.

[3] 01 a 08 de agosto de 1910, em Louvain e Paris.

[4] Padre Givelet Colson. História da Congregação, 1955.

[5] Annales de la Mission de Notre Dame de Sion en Terre-Sainte, 1908, n. 121, p.30-31.

[6] Dom Duarte Leopoldo e Silva fora bispo de Curitiba até 1906, depois nomeado a primeiro arcebispo de São Paulo, mantendo com as Irmãs de Sion, em Curitiba, um vinculo de amizade e paternidade.

[7] Lettre de Souer Marie Agatha de Sion a Mons. Duarte Leopoldo et Silva. 22.12.1908. (Arquivo da Arquidiocese de São Paulo).

[8] BAVOSO, José. Extrato baseado na Sion 15.12.1932.

[9] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[10] Ele deixou a Comunidade 4 anos depois, e foi morar em Roma, construiu uma grande carreira, sendo arcebispo e secretário da Congregação dos Ritos e Prefeito das Cerimonias Pontificais, depois cardeal.

[11] Esta cidade tem um dos maiores portos da França, foi lá que em abril de 1912, fizera sua primeira parada o célebre transatlântico Titanic.

[12] Givelet apud Colson. História da Congregação, 1955.

[13] Pe Givelet apud Colson. História da Congregação, 1955.

[14] Pe Givelet apud Colson. História da Congregação, 1955.

[15] Inspetoria de Imigração do Porto de Santos. Lista de Passageiros, do Navio “Arlanza”, da Companhia “The Royal Mail Steam Packet Company”. Museu da Imigração de SP. Disponível em: http://www.inci.org.br/acervodigital/upload/listas/BR_APESP_MI_LP_006196.pdf.

[16] Pe Givelet apud Colson. História da Congregação, 1955.

[17] Pe Givelet apud Colson. História da Congregação, 1955.

[18] Relatório do Padre Givelet sobre os Missionários de NDS no Brasil, apresentado no Capítulo de 1919.

[19] Carta do Padre Givelet ao Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte. 19.09.1912.

[20] Colson, Henri. História da Congregação, 1955.

[21] Carta do Pe Dante a Pe Givelet, Piracaia. 27.03.1913 apud Bavoso.

[22] Relatório do Padre Givelet sobre os Missionários de NDS no Brasil, apresentado no Capítulo de 1919.

[23] Tradução: Trotai alegremente, ágeis mulas >> Ao longo dos bosques e das ravinas >> Ao transportar-nos sejais dóceis >> E tereis dóceis festins.

[24] Padre Charles Hoare. Bolletin «La Sioniense de la Mission du Brèsil». n.1. 10.05.1916.

[25] Teve como companheiro da Fundação das Irmãzinhas da Imaculada, a Santa Paulina. Mais informações sobre as obras, trabalhos e Missões dos dois, consultar o blog: http://paulinasanta.blogspot.com.br/. Em 30 de outubro de 1921, morre Padre Luiz Maria Rossi, “co-fundador” que em seu testamento deixara muito clara, a veneração que ele tinha por Madre Paulina.

[26] Pe Dante apud Pe Bavoso. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[27] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[28] BAVOSO, José. Os padres de nossa senhora de Sion no Brasil. 1955.

[29] BAVOSO, José. Os padres de nossa senhora de Sion no Brasil. 1955.

[30] Padre Dante apud Bavoso. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[31] Padre Colson. História da Congregação, 1955.

[32] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[33] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[34] Lettre envoyée par le R. P. Dante, de Bragança – SP au T. R. Père Superieur General. 9 fevrier 1914. p. 11.

[35] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[36] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[37] Lettre envoyée par le R. P. Dante, de Bragança – SP au T. R. Père Superieur General. 9 fevrier 1914. p. 14.

[38] Padre Colson. História da Congregação, 1955.

[39] BAVOSO, José. Os padres de Nossa Senhora de Sion no Brasil. 1955.

[40] Relatório do Padre Givelet sobre os Missionários de NDS no Brasil, apresentado no Capítulo de 1919.

[41] Mais uma vez não houve posse oficial.

[42] Padre Hoare. La Sionienne – Mission au Brèsil. 10.05.1916.

[43] Tombo da Paroquia do Cambuci. Escrito no dia 07.02.1915. p. 66a.

[44] As assinaturas dos cinco estão no livro Tombo da Paróquia do Cambuci, como presença na celebração de Posse.

[45] Direito de celebrar duas missas no mesmo dia.

[46] Padre de Sion foi o quarto religioso de Sion a chegar no Brasil. Segundo o Arquivista da Cúria, a uma história em torno do Padre Fusing, que quando ele estava no navio para o desembarque, ele teria ido a cabine para trocar de roupa, foi usar uma roupa de selva, achando que era isto que ia encontrar no Brasil, porém, ao se deparar com uma Santos toda ‘moderna’ ficou envergonhado da sua vestimenta. O Padre Fusing saiu da Congregação em 1916, e após a saída dos Padres de Sion da Paróquia do Cambuci, ele passou a ser o Vigário de mesma (isto que conta nas atas da Cúria de São Paulo).

[47] E isso se repetira por muitas vezes.

[48] Tombo da Paroquia do Cambuci, p. 69b.

[49] Padre Hoare. La Sionienne – Mission au Brèsil. 10.05.1916.

[50] Acredito que os padres de Sion, em especial o Padre Dante teve uma relação muito próximo de Madre Paulina, hoje Santa Paulina, pois os dois eram italianos, o Padre Dante era o vigário do território paroquial do Cambuci e do Ipiranga, então, as irmãs valiam da ajuda dos Padres de Sion, e por último a relação próxima do Padre co-fundador das Irmãzinhas, Pe Rossi. Padre Rossi morre nos anos 20, então Madre Paulina, voltou ao Governo Geral de sua Congregação nos anos 30, então esteve em São Paulo, onde o território paroquial era a Paroquia São José, possivelmente, tempo por herança as orações e trabalhos da Santa do Brasil.

[51] Livro do Tombo, p. 72b.

[52] Carta ao Arcebispo de São Paulo de Ir Maria Augusta. Arquivos da Cúria de São Paulo. 22.03.1915.

[53] Padre Hoare. La Sionienne – Mission au Brèsil. 10.05.1916.

[54] O período de 1918 ocorre em São Paulo – com menos efeito devastador – a famosa Gripe Espanhola. Deixando nossos padres Hoare e Dante de Cama por algumas semanas.

[55] Padre Dante. Análise da situação da Missão do Brasil. Capitulo de 1919.

[56] Atas Curiais. Arquivo da Cúria de São Paulo.

[57] Diariamente saia ele percorrendo as ruas da Pauliceia, batendo de porta em porta. Os paulistanos, naturalmente generosos, abriram-lhe a bolsa. Não faltaram, porém, os dias aziagos. Quantas vezes para a infelicidade sua não bateu em portas de ateus, incréus, anticlericais ou protestantes. Então o que era natural irmão Charles era insultado, ridicularizado mesmo. Ele, porém, jamais perdeu as paciências. Era por São José que estava trabalhando. Pouca se lhe dava ser bem ou mal recebido, for ou não insultado. Depois de terem esses tais fulanos descarregados toda sua bílis sobre o irmão Charles este com sua calma inquebrantável tomava a palavra:
“Amigo, tais injúrias foram dirigidas a minha pessoa. Faça-me agora o favor de dar uma esmolinha para São José.” Segundo Padre Bavoso . Foi também ele que arrecadou e comprou o Órgão que tem na Igreja atualmente.

[58] Atas curiais. Cúria de São Paulo.

[59] Padre Hoare. La Sionienne – Mission au Brèsil. 10.05.1916.

[60] Relatório do Padre Givelet sobre os Missionários de NDS no Brasil, apresentado no Capítulo de 1919.

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