Os 20 de Janeiro depois do 20 de Janeiro

Cristiano de Almeida


Chegado o ano jubilar mariano, em que a Igreja rememora as aparições marianas, tanto de Fátima (1917) quanto de Aparecida (1717), a Igreja de Roma e do mundo celebrará os 175 anos da aparição da Virgem a Afonso Ratisbonne na igreja de Santo André delle Frate na cidade de Roma em 1842.
Proponho-me a mostrar como o fundador de nossa Congregação de Nossa Senhora de Sion celebrava os 20 de janeiro após a aparição que a Virgem lhe fez.

No primeiro 20 de janeiro, em 1843, o Padre Maria era noviço da Companhia de Jesus em Toulouse (França). Ele escreveu ao Superior Geral dos Jesuítas para solicitar sua ida à China, para aonde eles planejavam enviar uma missão. “Eis-me aqui, envia-me; minha confiança é em Maria; minha celeste Mãe; após me ter conduzido ao seio da Igreja e ao seio da Companhia, não me abandonará no momento do perigo”1.

O segundo 20 de janeiro, em 1844, Padre Maria passou-o em Saint Acheul ao norte da França.
Em 1845 o Padre Maria estava em Laval, uma cidade ao oeste da França. Aí o Padre Maria falou às neófitas sobre a experiência que teve, assim disse: “Muito certamente nossa celeste mãe já pensou a cada um de vós (...) Ela abriu os olhos e mostrou o caminho ao miserável cego, que definhava nas trevas da morte, sobre a grande estrada desta vida! Vocês conhecem este pobre cego (...) ele se chamava antigamente Afonso; ele se chama agora Maria”2.

No 4o ano após a experiência em Roma, o Padre Maria continuava em Laval. Neste ano - os arquivos guardam uma carta enviada a seu irmão Padre Theodoro - ele conta como está sendo a experiência juntos aos jesuítas, no aspecto físico e espiritual. O então Irmão Maria não queria ser o centro das atenções desta data, e sim o contrário; para ele somente a Virgem Maria poderia. Porém ele não queria faltar com a fraternidade para com sua comunidade; escreveu ele na carta: “Eu estou a cada instante ao ponto de gritar: É suficiente! É suficiente, meu Deus (...) ou deixa-me morrer! (...) muitas missas foram ofertadas na Companhia ao pobre irmão Maria”3.

No ano de 1847, o Padre Maria escreveu outra vez ao seu irmão Padre Theodoro. Nesta carta ele expressou suas esperanças e seu contentamento após 5 anos de sua conversão, assim ele diz: “Eu repeti várias vezes o Memorare para a conversão de tantas pessoas cegas e pela ressureição dos mortos”. E sua devoção mariana é tão grande e profunda que continua: “Nunca que nós tenhamos recorrido a Maria sem obter qualquer graça”4.

No ano de 1848 não há registros; porém no ano de 1849, o Padre Maria escreveu à Madre Rose, expressando a esperança da Obra de SION no coração da Patrona da Congregação. “Hoje é um dia de Perdão e Misericórdia (...) O progresso da querida obra de SION é para mim motivo de alegrias e de ações de graças contínuas. Eu não posso pensar, sem uma emoção viva, nas maravilhas que nossa divina Protetora fez para o triunfo da preservação e a conservação desta pequena obra tão querida de seu coração”5.

Os anos de 1850, 1851 e 1852 são os últimos de Padre Maria na Companhia de Jesus; ele sairia no dia 18 de dezembro de 1852. Seu coração, impulsionado pela obra de Sion em Jerusalém, leva-o a escrever ao Superior dos Jesuítas: “Parece-me que só agora estou na vocação para o qual fui formado durante tantos anos”6.

Antes de sua ida a Jerusalém, Padre Maria, em 1854, encontrava-se na França, onde ele celebrou na casa das irmãs de Sion em GrandBourg. Após fazer seu retino anual, ele celebrou a missa com grande pompa e honra a Senhora de Sion. Padre Afonso neste dia prefere guardar o silêncio; porém ele reservara um momento para contar como foi o ocorrido 20 de Janeiro em Santo André, segundo os escritos da época: “Ele estava feliz ao falar da Santa Virgem”7.

Enfim, sua chegada a Jerusalém foi em 12 de setembro de 1855. No ano seguinte, Padre Maria fez, como de costume, seu retiro anual; desta vez, porém, na terra de seu povo. No Santo Sepulcro, onde ele passara o o dia e a noite em silêncio e oração, ao rezar a missa, Padre Maria nos conta que estava somente junto com um frade franciscano; assim diz: “Talvez não, eu não estava sozinho; vós estáveis todas presentes, minhas queridas madres e irmãs”8, escreveu Padre Maria à Madre Afonsina. Neste mesmo dia às 8h o Patriarca viera junto com seus seminaristas celebrar a missa; convidou o Padre Maria a participar; no final da celebração anuncia que o Padre Maria celebraria a missa no Santo Calvário, na Sexta-feira Santa. Naquele momento seu coração se encheu de emoção e de alegria.

O padre Maria estava em Paris no ano de 1857, completava-se 15 anos como cristão neste dia memorial para Sion. Ele escreveu para Thedoro de Bussières contando como fora sua peregrinação à Terra Santa; em outra carta destinada às irmãs de Sion de Jerusalém ele dizia como conseguira comprar as ruínas do Ecce Homo. Padre Maria assim escreveu: “Eu não posso deixar de passar sem vos endereçar qualquer linha no dia memorável em que a Rainha do Céu começou ela mesma, há 15 anos, a obra santa à qual nós todos fomos chamados, felizes membros da família de Sion!9” Em uma carta de 2 de março do mesmo ano ele escreveu à Família Sion: “O 20 de janeiro foi celebrado este ano com uma pompa tocante (...) como é bonito ver o dia do nascimento de Sion, já celebrado nos quatro cantos do mundo”10.

Em 1858 o padre Maria, junto com algumas irmãs de Sion, 8 no total, celebram a missa nas ruínas do Ecce Homo às 4h da manhã para não alarmar a vizinhança e outros grupos religiosos da época. Descreveu também que as irmãs renovaram ali seus votos. Para o Padre Afonso foi a mesma sensação que vivia a Igreja Primitiva, tanto no mistério quanto na fé. “Era como uma cena da Igreja primitiva. Parece que estamos voltando aos tempos das catacumbas de Roma”11.

No ano de 1859, Padre Maria estava em Paris para arrecadar dinheiro para as obras do Ecce Homo; porém, quem está em Jerusalém desde novembro de 1858 é Padre Theodoro, que vai como peregrino e observador das obras do irmão e de suas filhas. Em Paris, Padre Maria escreveu que estava em retiro do 18 a 26 de janeiro. Ele passou o 20 de janeiro em seu quarto na comunidade dos Padres de Sion, São Pedro. Neste dia, segundo ele, sua memória estaria no memorável 20 de janeiro de 1858, lá na missa celebrada nas ruínas do Ecce Homo. “Eu estava com vocês no Ecce Homo – que lembrança! – Que emoção inenarrável”12.

Padre Maria, ainda na França no ano de 1860, escreveu às irmãs para não se desesperarem com as dificuldades vividas e anima-as: “Agradecemos juntos o Senhor, nosso bom Deus, e a nossa celeste Advogada perto d’Ele. Eu estou mais que nunca pleno de confiança em sua fiel proteção por nossa obra”13.

Como algumas irmãs estavam ficando doentes, Padre Maria adquire uma propriedade A 6 km de Jerusalém, num vilarejo onde o Magnificat e o Benedictus foram cantados. Enfim nasceria a comunidade de São João na Montanha, a comunidade de Ein Karem. Seu retiro em 1861 foi em São João; neste dia, segundo os arquivos da comunidade, Padre Maria caminhava “Sobre o terraço e pedia a Nossa Senhora de Sion que o mostrasse o lugar que ele deveria escolher para erguer uma casa para as filhas de Sion”14.

Em 1862 será a primeira missa no novo mosteiro do Ecce Homo, já finalizado. Padre Maria, as irmãs e as crianças, ao som do sino, vão à capela e lá celebram o Santo Sacrifício. O Canto Pater Dimitte Illis rasga o silêncio da missa e se eleva aos céus15. Este ano se celebrariamos 20 anos da aparição.

No vigésimo primeiro 20 de janeiro após a aparição, Padre Maria estava na França, onde ele faria o retiro em Nice, na comunidade das Irmãs do Bom Socorro; na carta que escreveu a seu irmão Padre Theodoro, dirá que seu pensamento estava tranquilo e que suas orações são apresentadas à Virgem Maria: “Eu amo dizer e redizer a Maria o nome de todos de Sion”16. Padre Maria endereçou também uma carta a Jerusalém, na qual diz que seu pensamento estava entre Roma e Jerusalém: “Minhas lembranças são quase exclusivamente compartilhadas hoje entre Roma e Jerusalém, entre 1842 e 1862, entre Santo André e o Santuário do Ecce Homo”17. No ano de 1862 o Padre Maria havia dito a algumas irmãs que “A Santa Virgem havia mostrado a ele há 20 anos, tudo isso que estava acontecendo naquele dia e que a obra de Jerusalém foi a ele inspirada pelo céu no momento da sua conversão miraculosa”.

Ainda na França no ano de 1864, em Nice, na Abadia de Saint-Pons, ele escreveu às irmãs de Jerusalém que no 4o dia de seu retiro chegou a ele um telegrama da Princesa de Mônaco (Antoinette de Merode), dizendo estar gravemente doente. Ele vai ao seu encontro e administra-lhe os sacramentos. Após o que, ele retornou a Nice e deu continuidade ao retiro.

Em 1865, Padre Maria está em Beit Jalla, a 2 km de Belém. Neste 20 de janeiro, Padre Maria recebeu uma carta de seu irmão Theodoro pedindo-lhe que voltasse para a França ao término de seu retiro, que ele não ficasse mais nenhum dia em Jerusalém.

No ano seguinte, Padre Maria fez seu retiro em São João, na sua pequena casa. No dia 20 Madre Electa trazia o Diretório da Propaganda da Fé que dava a permissão de fazer a adoração ao Santíssimo Sacramento na capela de São João.

No ano seguinte, em 1867, Padre Maria estaria em Marselha, França: o 1o jubileu após a aparição - 25 anos de conversão. Segundo ele a capela estava plena de fiéis, o altar ornado com muito carinho e delicadeza pela Madame Magnan18.

Em 1868 o Padre Maria fez seu retiro anual no Santo Sepulcro. Lá ele celebrara a missa das cinco. Neste dia ele enviara uma carta a Madre Louise sobre uma futura criação de uma comunidade em Roma, tanto para os irmãos quanto para as irmãs. “Após a consagração do Santuário do Ecce Homo minha missão na Terra Santa parece um pouco terminada. É a Roma, então que devemos considerar o estabelecimento de Sion: Padres e Religiosas. Eu me coloco à sua disposição para trabalhar nesta dupla finalidade”19.

Em São João no ano de 1869, Padre Maria dirá que nós em Sion somos obra de Deus. Às irmãs ele diria: “Que Maria nossa mãe, se digne de vos dizer a cada uma de minha parte, uma palavra de coração: Em cada cruz a Virgem de Sion virá vos fortalecer e vos alegrar”20. E para as irmãs de Constantinopla dirá: “Não esqueçam sobretudo que por esta cruz tudo começou e tudo será consumado; é da cruz que seguem todas as bênçãos fecundas”21.

Em 1870 Padre Maria passou seu retiro em silêncio.
Em 1871 no Ecce Homo, após a missa, Padre Maria escreveu: “Eu senti a Santa Virgem tão perto de mim, tranquilizou-me com a promessa de sua maternal proteção no meio de todos os pobres. Será uma iluminação ou uma alucinação?”22

Nos anos de 1872 (30 anos da conversão) e 1873, Padre Maria faria seu retiro na Comunidade de São João. Em algumas linhas ele diria o que seria o 20 de janeiro. “É simples: o 20 de janeiro, é uma luz dentro de uma luz e dentro desta luz: Sion-Jerusalém: Eu as atesto, minhas queridas irmãs, eu vi estes dois nomes dentro do coração de Maria no 20 de janeiro de 1842”23. Este ano é marcado por mais uma obra de Padre Maria na Terra Santa, a comunidade de São Pedro de Ratisbonne.

No 20 de janeiro de 1874, Padre Maria estava em Paris, na comunidade de São Pedro na Rua Notre Dame des Champs, 68.

Em 1875, 1876 e 1877, o Padre Maria fez seu retiro anual em São João. No primeiro ano a missa é cantada, no ano de 1877 é celebrada em pleno silêncio, somente o Pater Dimitte illis é cantado; o padre Maria escreveu um bilhete para as irmãs: “Escutai a Virgem seu silêncio é suficientemente eloquente”24.

Em 1878 Padre Maria celebrou na casa da família Magnan, numa cidade perto de Marselha. Porém, nos dias que precedem o 20 de janeiro, Padre Maria vai a Roma. Esta foi a primeira vez que ele retornara para a cidade de sua conversão. Em 26 de janeiro ele chegava a Roma, e o primeiro lugar a visitar é a Igreja de Santo André. Chegando à igreja, Padre Maria pede ao sacristão autorização para celebrar a missa no altar da aparição, assim se passa esta anedota: “O senhor quer celebrar no altar da Madonna de Ratisbonne?” Pergunta o sacristão. “Sim, Sim, eu gostaria muito de celebrar neste altar”, responde Padre Maria. “Mas de onde vem o senhor? A que missão pertence?” “Eu pertenço à missão de Jerusalém”. “Jerusalém? Então o senhor deve conhecer Afonso Ratisbonne?” “Certamente, reverendo Padre, eu o conheço muito bem, e vou celebrar a missa por ele”. “Está bem”25. Com grande devoção, e um pouco nervoso por estar ali novamente, Padre Maria celebrou a missa no altar da Madonna del Miracolo. No outro dia ele escreveu a seu irmão: “Na verdade, será preciso ver que eu não tenho coração, pois ainda estou vivo (...) ao me encaminhar para o altar eu sentia os membros tremerem e redizia ao Senhor: Não olheis as minhas faltas, mas os frutos de caridade de tua Congregação!”26 No dia 21 de janeiro, Padre Maria escreveu à Madre Laure, na qual dizia: “O dia de ontem foi bem suave. Eu acredito que depois de 1842, nunca ainda um 20 de janeiro teria sido mais delicioso.”27 No dia 1 de fevereiro, Padre Maria é recebido pelo Papa Pio IX. No dia 4 de fevereiro retorna para casa; mas antes, ainda na Igreja de Santo André, ouviu a ordem de Nossa Senhora: “Caminha! Caminha, e eu imediatamente obedeci!”28

Em 1879, 1880 e 1881 Padre Maria celebrou o 20 de Janeiro em São João. Em 1881 Padre Maria deu algumas instruções à Madre Maria Eleonora sobre Jerusalém, Sion e Maria. “É Jerusalém que dá à Congregação seu sabor especial; sem Jerusalém Sion não teria sua razão de ser; o que quer dizer Sion senão Jerusalém?”. E continuou: “Sion é a obra do olhar de Maria, Jerusalém é a obra de seu coração”29.

O aniversário de 40 anos da aparição se deu no Carmelo de Belém; ele escreveu à Madre Maria Laure: “Eu celebro meu quadragésimo aniversario. Após uma vida errante de 40 anos, eu espero entrar na verdadeira Terra Prometida, a Sion Celeste!”30

Em 9 de janeiro de 1883, Padre Maria, em São João, escreveu à irmã Christina: “Há 41 anos eu me encontrava nas ruas de Roma com meu amigo de pensão, Gustave de Bussières. Este louco protestante me conduziu a seu irmão Teodoro, e este Teodoro me conduziu a Theodoro, meu irmão”. E ele continua: “Sion é hoje uma obra importante, mas isso ainda é só o começo”31.

O último 20 de janeiro na Sion terrestre foi em 1884. Este ano marcado por quatro eventos tristes para a Congregação: a morte de Padre Theodoro em 10 de janeiro deste ano e de seu irmão Achille (em novembro de 1883); o segundo evento foi o 20 de janeiro celebrado num silêncio profundo, somente cantado o Credo, o Pater Dimittes e o Magnificat. Na hora da comunhão Padre Maria estava muito emocionado. O terceiro evento seria o aniversário de Padre Maria, 70 anos completava, porém, fora neste dia que começara a ficar doente; teria dito: “Vocês verão que eu morrerei aos 70 anos”32. O último evento fora sua morte. Em 30 de abril, numa quarta-feira, Padre Maria chegou à sua casa em São João para a abertura do mês Mariano acompanhado de todas as crianças, irmãs, irmãos e Padres de Sion; porém, como dito, em seu aniversário caíra em febre e após alguns dias veio a falecer às 8h da noite.

Vimos como foram os 20 de Janeiro de nosso Venerável Padre Maria após a aparição de Nossa Senhora a ele. Sua vida foi doada para a obra de Sion, para Jerusalém e para a Igreja. Uma marca viva do trabalho em favor de seu povo.

1Lettre du Père Marie au Père Général des Jésuites, le 20 janvier 1843.
2Lettre du Père Marie aux néophytes, le 19 janvier 1845.
3Lettre du Père Marie au Père Theodore, le 20 janvier 1846.
4Lettre du Père Marie au Père Theodore, le 20 janvier 1847
5Lettre du Père Marie à Mère Rose, le 20 janvier 1849.
6CARMELLE, Sr. De Rome à Jerusalem.
7Texte extraits de la communauté de GrandBourg, le 20 janvier 1854.
8Lettre de Père Marie à Mère Marie Alphonsine, les 1-4 février 1856.
9Lettre du Père Marie aux soeurs de Jérusalem, le 20 janvier de 1857.
10Lettre du Père Marie aux soeurs de Jérusalem, le 2 mars de 1857.
11Annales de la Mission de Terre Sante, 1858.
12Lettre du Père Marie aux soeurs de Jérusalem, le 4 février 1859.
13Lettre du Père Marie aux soeurs de Jérusalem, le 20 janvier 1860.
14Journal de Saint Jean in Montagna.
15Journal de L’Ecce Homo.
16Lettre du Père Marie au Père Theodore, le 20 janvier 1863.
17Lettre du Père Marie à la Comnunauté de Jérusalem, le 20 janvier 1863.
18Journal du Père Marie.
19Lettre du Père Marie à Mère M. Louise Weywada, le 7 février 1868.
20Journal de la Communauté à Jérusalem, le 20 janvier 1869.
21Lettre du Père Marie aux Soeurs de Constantinople, le 27 janvier 1869.
22Lettre du Père Marie aux Magnan, le 20 janvier 1871.
23Parole du Père Marie ont été mises plus tard par écrit pour la soeur Marie Eléonore, en 1914.
24Journal de Saint Jean in Montana.
25CARMELLE, Sr. De Rome à Jérusalem, 1842-1884.
26Lettre du Père Marie au Père Theodore, le 27 janvier 1878.
27Lettre du Père Marie à Mère Marie Laure, le 21 janvier 1878.
28Lettre du Père Marie au Père Theodore, le 4 février 1878.
29Instruction du Père Marie, transmise par Mère Marie Eléonore.
30Lettre du Père Marie à Mère Laure, le 20 janvier 1882.
31Lettre du Père Marie à Soeur Christina, le 9 janvier 1883.
32Journal de Saint Jean in Montana.

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