Décimo Primeiro Domingo do Tempo Comum

Ez 17, 22-24 / Sl 91, 2-3. 13-14.15-16 / 2 Cor 5, 6-10 / Mc 4, 26-34

Comentário sobre o Evangelho

Uma Palavra sobre as Parábolas

As parábolas, historietas de cunho comparativo, foram amplamente utilizadas por Nosso Senhor Jesus Cristo em seu anúncio do Reino de Deus. Neste Domingo, vamos ouvir mais duas, as duas últimas desta sequência de parábolas no Evangelho de São Marcos, que começou em 3, 23 e se estende até 4, 34. Por isso, nos parece oportuno dar aqui algumas breves explicações sobre a natureza das parábolas.

A palavra-chave para entender a parábola é comparação. Duas realidades são colocadas lado a lado, de modo que a primeira, que é uma realidade conhecida, um fato do cotidiano, nos ajude a entender a segunda, que é um mistério sobrenatural do plano divino de salvação. Deus é o Ser Infinito e Transcendente, e por isso nossas palavras são insuficientes para aclarar as coisas que Ele mesmo nos revela; é aí que entram estes discursos imagéticos, como as parábolas e as alegorias, para nos ajudar a mergulhar nos sentidos profundos de sua Palavra.

Jesus não inventou as parábolas, embora tenha Ele contado as mais belas da história da humanidade. As parábolas já existiam como um meio de expressão piedoso no ambiente religioso da Terra de Israel na época de Cristo e são o fruto de um longo desenvolvimento que tem seus começos no Antigo Testamento. Veja-se, por exemplo, a parábola que o profeta Natan contou ao rei Davi para o fazer conscientizar-se de seu hediondo crime de assassinato como meio de encobertar seu adultério com Betsabeia (cf. 2 Samuel 11 – 12).

Segundo os estudiosos da literatura bíblica, as parábolas nos livros do Evangelho continuam uma tradição hebraica que começou no Antigo Testamento, a saber, as peças literárias que se chamam Mashal. Em hebraico bíblico, a raíz משל (M – Sh – L) significa assemelhar-se a, parecer-se com. O Mashal possui uma ampla variedade de tipos no Antigo Testamento: a) ditos populares (Ex.: "Dentre a multidão, alguém perguntou: Quem é o pai dele? De onde o mashal: Porventura também Saul está entre os profetas?" 1 Samuel 10.12); b) provérbios ou ditos de sabedoria, como por exemplo os que se encontram no Livro de Provérbios, cujo título em Hebraico é מִ֭שְׁלֵי שְׁלֹמֹ֣ה (Meshlei Shlomo), o que quer dizer, os Meshalim (plural de Mashal) de Salomão; c) e, enfim, Mashal como historietas de comparação, como a que contou o profeta Natan a Davi.

Como devemos interpretar as parábolas?

Alguns especialistas em literatura bíblica sugerem que as parábolas devam ser interpretadas de um modo diferente daquele que é empregado para a interpretação das alegorias. O diferencial das alegorias é que elas não são baseadas em comparações, mas em metáforas, por exemplo: "Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens” (Mt 5, 13). Nesta passagem, Jesus não está a comparar os discípulos com sal, não se tratando, portanto, de uma parábola; mas diz que eles são sal, palavra então que vai ter um significado transcendente, isto é, o sal como símbolo de perpetuidade, sabedoria e graça. Na alegoria, os elementos-chaves têm significado não literal, transcendente, simbólico; nas comparações e parábolas, os elementos-chaves mantém o seu sentido literal.

Na parábola, o que conta é a dinâmica interna entre os elementos; e que um aspecto especial deve ser a chave de interpretação da mensagem. O elemento central na primeira parábola deste domingo pode ser, por exemplo, o poder que tem o Reino de Deus de crescer por si mesmo, sem depender da atividade humana; em última análise, o Reino de Deus se consumará, com ou sem a cooperação humana.

Todavia, pode acontecer que as parábolas sejam interpretadas de forma alegórica, isto é, seus elementos seriam interpretados como símbolos de realidades espirituais. Esta “alegorização” acontece já dentro do próprio Evangelho e largamente na interpretação da Tradição da Igreja sobre as parábolas de Jesus.

A parábola do semeador, que se encontra no capítulo 4 de São Marcos, é interpretada pelo próprio Senhor de um modo alegórico, isto é, Ele mesmo dá o significado de cada termo: a semente é a Palavra, algumas pessoas são o terreno pedregoso, outras são as que são cheias de espinhos, outras são uma terra boa e fértil...

A Palavra de Deus não é hermética e rígida, mas como diz o Espírito Santo na Epístola aos Hebreus: “A Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4, 12). Por isso, ao lermos, ouvirmos e meditarmos sobre as parábolas, temos de levar em conta essa dinamicidade da Palavra de Deus: às vezes podemos procurar o sentido global único da parábola, mas também podemos explorar os significados que possam ter os seus elementos no quadro geral da Tradição cristã e principalmente da Liturgia da Igreja. A Liturgia, aliás, é uma mestra infalível na interpretação da Palavra de Deus.

***

Dizia também: O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra.

 O Reino de Deus

O assunto das duas parábolas que ouvimos hoje, e que domina toda a Liturgia neste 11º Domingo do Tempo Comum, é o Reino de Deus. No Evangelho de São Marcos trata-se de um tema central e essencial, e Jesus inaugura seu ministério justamente “anunciando a boa-nova de Deus, e dizia: o tempo se cumpriu, e o Reino de Deus aproximou-se, convertei-vos e crede na boa-nova” (Mc 1, 14-15). A questão do Reino tem suas raízes já no Antigo Testamento. No Livro do Êxodo, Deus diz a Israel: “E vós me sereis um reino sacerdotal e um povo santo” (Ex 19, 6).

Às vezes é importante nos conscientizarmos do sentido óbvio das coisas, que pode passar despercebido. Ora, um reino não é outra coisa que o domínio de um rei; o Reino de Deus, assim, é o domínio de Deus, o Rei supremo por definição, sobre toda a criação, sobre a humanidade e sobre toda a vida eterna. É um reino que vem para vencer o reinado do maligno, sob quem jaz o mundo todo (1 Jo 5, 19), um reino que vem para derrotar e substituir o reino da serpente enganadora, que seduziu toda a terra (Ap 12, 9). O mesmo Evangelho de São Marcos vai nos mostrar Jesus, em sua paixão, como o Rei do reinado que Ele mesmo anunciou. Pergunta-lhe Pilatos, és tu o rei dos judeus, a que o Senhor responde: Tu o dizes (Mc 15, 2); quer dizer, a afirmação está na própria boca de Pilatos, um rei do mundo, e como o mundo, caduco e passageiro. Cristo é o Rei Divino que reina e reinará por todo o sempre sobre nós, naquele seu reino onde não há mais lágrimas,

E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (Ap 21, 1-4)

A semente na terra

A Torah, que é o nome hebraico mais comum do que nós mais habitualmente chamamos de Pentateuco, é o fundamento de toda a revelação bíblica. Na Torah, isto é, nos cinco primeiros livros da Bíblia, estão os elementos principais da fé revelada; ela é como que os alicerces subterrâneos do edifício que é toda a Bíblia. Por isso, há sempre relações sólidas e belas entre a Torah e o Evangelho. O próprio Senhor diz que veio como cumprimento da Torah (Mt 5, 17). É dentro desta relação que podemos ver a questão da semente que se lança na terra. O texto do nosso Evangelho usa a palavra γη (gué), que por sua vez representa o termo hebraico אדמה (adamah), que significa terra.

O Livro de Gênesis nos fala do seguinte modo a respeito da criação do ser humano (2, 7):

“E o Senhor Deus formou o homem do pó da terra.”

(וַיִּיצֶר֩ יְהוָ֙ה אֱלֹהִ֜ים אֶת־הָֽאָדָ֗ם עָפָר֙ מִן־הָ֣אֲדָמָ֔ה )

Acontece que os termos “terra” e “homem” possuem a mesma raiz: אדמ. Se quiséssemos reproduzir o efeito literário em Português, poderíamos traduzir assim: E o Senhor Deus formou o terráqueo do pó da terra. Ou ainda: O Senhor Deus formou o homem do húmus. Como se vê, existe uma relação simbólica (e mesmo ontológica!) entre o homem e a terra. A terra é o material de que é constituído o homem. A terra pode ser interpretada, portanto, como um símbolo da humanidade, não humanidade no sentido geral de toda a aglomeração de povos da terra, mas no sentido específico de “essência humana”. Deste modo, em sentido homilético e litúrgico, a semente é lançada na humanidade, isto é, na “terra” do ser humano. Sabemos pela parábola do semeador que a semente é a Palavra de Deus (Mc 4, 1-20). A Palavra de Deus é “plantada” em nosso ser, não somente numa dimensão espiritual da alma, mas até mesmo em nosso ser físico, em nossa “terra”, em nossa carne.

Dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem ele o perceber.

Sem ele o perceber

A ação de Deus no mundo, na história, transcende muitíssimo a nossa capacidade de compreensão. O que sabemos é só um pouco, é um começo de conhecimento. Diz o Senhor pela pena do profeta Isaías:

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei (Is 55, 8).

Pois a terra por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por último, o grão abundante na espiga.

Primeiro a planta...

O crescimento do Reino de Cristo-Deus em nós e no mundo passa por estágios e etapas. O processo de santificação é dinâmico e não instantâneo. Várias passagens no Novo Testamento atestam sobre este crescimento espiritual por etapas. Veja-se, por exemplo, o caso do cego que, agindo nele Jesus em um primeiro momento, adquire uma visão imperfeita: “vejo os homens mas como árvores que andam” (Mc 8, 24); tornando Jesus a pôr-lhe a mão sobre os olhos, ele recobra a visão perfeita (Mc 8, 25). Há ainda a doutrina de São Paulo Apóstolo sobre as criancinhas e os adultos em Cristo: Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis” (1 Cor 3, 2). Na Tradição da Igreja, a doutrina espiritual de Santa Teresa D’Ávila sobre as moradas é outro testemunho de que o Reino de Deus se alcança por etapas. A doutrina do purgatório também se enquadra nesta perspectiva.

Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque é chegada a colheita.

 A colheita

A colheita é o símbolo escatológico da morte, do juízo, seja particular ou universal, e sobretudo da salvação final e eterna, quando todos os redimidos serão recolhidos no celeiro de Cristo. É a mesma doutrina escatológica de São João Batista em Mt 3, 12: “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.”

Dizia ele: A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos? É como o grão de mostarda que, quando é semeado, é a menor de todas as sementes.

 A menor de todas as sementes

Os começos do Reino de Deus são pequenos. A pequenez é o caminho escolhido por Deus para fazer-se chegar aos homens. Sobre isso, diz-nos São Paulo: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele” (1Cor 1, 27-29).

A encarnação do Verbo é uma forma pela qual Deus se faz pequeno e acessível. Diz-nos o mesmo São Paulo: “que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;

e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome... (Fl 2, 5-9)

E a pequenez, isto é, a humildade, é uma condição sine qua non para o relacionamento com Deus: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos Céus” (Mt 5, 3), e “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tg 4, 6).

Mas, depois de semeado, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra.

Depois de semeada, cresce

O termo grego que o nosso Evangelho utiliza é αναβαινει (anabainei) que significa literalmente subir. Este verbo possui muitas riquezas teológicas no Novo Testamento e aparece em vários lugares com significados transcendentes.

Em Mt 20, 17-19, lemos: “E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou de parte os seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes: Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará”. Jesus sobe para Jerusalém, que é o centro spiritual do universo. É uma subida que o levará à paixão e ao triunfo da ressurreição, a qual é a subida por excelência que Deus concede.

Em Lc 19, 4, é Zaqueu que tem de subir para ser capaz de ver Jesus. “E, correndo adiante, subiu a um sicómoro para o ver; porque havia de passar por ali.” Trata-se de uma subida espiritual, quer dizer, de uma conversão. Ver Jesus é subir do lodo do pecado e da maldade até a presença de Deus pela fé em Cristo.

Nos Atos dos Apóstolos, lemos em 2, 34: “Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita.” Subir neste contexto significa ascender aos Céus ressuscitado. A subida verdadeira é de Cristo, que uma vez ressurreto, ascende ao Pai. Ainda nos Atos dos Apóstolos, em 10, 4, lemos: “O qual, fixando os olhos nele, e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus.” As nossas orações sobem a Deus. As nossas orações penetram a dimensão em que Deus habita.

Por tudo isso, podemos interpretar a mostarda que cresce, isto é, que sobe, como um símbolo da nossa ascensão espiritual a Deus através da fé em sua Palavra. A vida cristã, isto é, o crescimento do Reino de Deus em nós, é uma subida até Deus; trata-se de um amadurecer que nos vai aproximando do Pai Celestial. Todavia, nenhuma árvore cresce apenas em direção ao alto; é preciso que ela também lance suas raízes nas profundezas da terra, de modo que não venha a tombar-se. Assim também nós, pelo aprofundamento da Palavra de Deus em nós, pelo aprofundamento do autoconhecimento, vamos nos reerguendo para Deus. Quanto mais humildes somos, mais altos subimos e mais pertos ficamos de Deus. “Quem se humilha será exaltado” (Mt 23, 12).

As aves do céu podem abrigar-se à sua sombra

Uma vez que o Reino de Deus cresce em nós, tornamo-nos suportes para os demais, tornamo-nos fontes para o próximo, tornamo-nos o seu apoio e amparo; deixamos de ser mendigos que precisam de esmola para nos tornarmos os ricos que socorrem com suas riquezas, como o bom samaritano (Lc 10, 25-37); deixamos de ser cegos para nos tornarmos nós mesmos fontes de luz para o próximo, como quer Nosso Senhor a nosso respeito: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14).

Era por meio de numerosas parábolas desse gênero que ele lhes anunciava a palavra, conforme eram capazes de compreender.

A Palavra

É a sua Palavra a semente que Jesus está a plantar no coração dos homens, como mostra a parábola do semeador. É a Palavra de Deus que está sendo plantada na terra, isto é, na carne do homem cristão.

Conforme eram capazes de compreender

As parábolas de Jesus são uma fonte inesgotável de sabedoria. Nelas podem achar o seu alimento espiritual tanto os simples de entendimento como os doutos e avançados. Por elas se manifesta a inesgotável misericórdia de Deus que se comunica a todas as suas criaturas, as grandes e as pequenas.

E não lhes falava, a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo a seus discípulos.

Explicava tudo

É na initimidade com Cristo, isto é, na meditação e na oração, que Ele nos explica, nos aclara, a respeito dos seus mistérios e das suas palavras. Por essa intimidade e amizade, como sucedeu ao discípulo amado no Evangelho de São João, ascultamos o coração do Salvador e arrancamos-Lhe raios de sabedoria e de amor.

***

Na primeira das parábolas que ouvimos, a parábola do crescimento oculto do Reino, podemos entender que é o poder de Deus a realizar os seus desígnios e a fazer com que seu projeto de salvação chegue a bom termo. O Reino de Deus se consumará de qualquer jeito. Não há nada que os seus inimigos possam fazer para o deter. Além disso, não precisamos ficar ansiosos, “pensar” demais, teologizar demais. O Reino de Deus se consumará.

Na segunda parábola, a da semente de mostarda que se torna a maior das árvores, podemos contemplar o poder de crescimento do Reino de Deus. Embora tudo comece de modo humilde e pequeno, o termo é sempre algo grandioso e vitorioso.

Além disso, estas parábolas podem ser lidas em três perspectivas: escatológica, eclesiológica e mística.

Na perspectiva escatológica, elas nos falam do plano de Deus rumo ao fim dos tempos e começo da eternidade. Um dia haverá a colheita da plantação que Deus mesmo iniciou, e os homens, como pássaros que se abrigam sob a sombra e nos galhos de uma árvore, poderão abrigar-se no Reino de Deus Eterno.

Na perspectiva eclesiológica, estas palavras nos falam da natureza da Igreja, elas nos dizem algo sobre o que é a Igreja. A Igreja, que começa na pequenez e pobreza do presépio, cresce e se torna uma árvore cujos galhos se estendem por toda a terra.

Na perspectiva mística, estas parábolas nos falam sobre o mistério de Reino de Deus dentro de nós. Antes de crecer no mundo, é dentro de nós, em nós, que o domínio real de Deus vai se alargando, se desenvolvendo. Ainda que não tenhamos consciência, Deus está trabalhando dentro de nós, operando a sua graça no mais íntimo do nosso ser.

 

Irmão Cristóvão O Silva


Bibliografia:

Nineham, D. E. The Gospel of Mark. London: Adam & Charles Black, 1968.

Kohlenberger, J. R. NIV Greek and English New Testament. Grand Rapids: Zondervan, 2011.

A Bíblia Tradução Ecumênica. São Paulo: Paulinas & Edições Loyola, 1996.

Kittel, G & Gerhard Friedrich editors. Theological Dictionary of the New Testament Vol. 5. Grand Rapids: W. Kohlammer Verlag, 1995.

Rabbi Menachem Davis editor, The Interlinear Chumash. Nova York: Mesorah Publications, 2010.

Rolar até o topo