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Segundo Domingo da Quaresma

Guardar a Fé

Tiago R. Cardoso, nds
17 de Março de 2019

Caros irmãos e irmãs, nós estamos caminhando juntos como Igreja neste tempo de Quaresma onde mais uma vez temos a oportunidade de rever nossa vida cristã de acordo com os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A primeira leitura, do Livro do Gênesis, nos apresenta dois elementos bastante importantes para a História da Salvação: o povo e a terra. Deus guarda sua Palavra, por outro lado é o ser humano quem não consegue se manter fiel às alianças com Deus. O Senhor prometeu um povo da descendência de Abraão e então cumpriu em Isaac, Jacó e até os dias de hoje no povo Judeu. Um povo para ele se revelar, para adorá-lo e para proclamar o Deus  verdadeiro e Um. Jesus ele mesmo cumpriu a promessa de Deus pois nasceu deste povo e através de Jesus foi oferecido salvação àqueles que não faziam parte do povo.  A terra também tem um papel muito importante no plano da salvação pois foi nesta terra prometida que Deus fez sua morada e escolheu um rei, Davi, para governá-la e o qual seria lembrado para sempre pois de sua descendência viria aquele que resgataria o mundo.

O salmo 27 testemunha a fidelidade em Deus: “o Senhor é minha luz e salvação.” Lendo os versos do salmo podemos verificar o quão convencido é o salmista sobre  grandeza de Deus e quão pequenos e humildes deveríamos ser. Neste período de Quaresma, este seria um exercício bastante proficiente: exaltar a Deus e pedir a ele para “ter pena de mim” pois ele é bom e a salvação vem dele e não de nós.

O Evangelho de Lucas nos conta uma das versões da história da Transfiguração[1]. Por vezes quando lemos este texto ficamos tão atônitos com a linguagem miraculosa que nos esquecemos de ver o que está por trás disto. Primeiramente, esta passagem tem um profundo sentido Escatológico[2]. Quando, consultando a tradição judaica, notamos que a presença das tendas pode se referir à Festa de Sukkot[3], a Festa dos Tabernáculos, a qual tem um abordagem escatológica especialmente no último dia, quando se celebra a Simcha Torah (Alegria da Torah). Como sabemos, Torah é a Palavra dada por Deus ao povo de Israel através de Moisés. Não é por acaso que Moisés e Elias aparecem com Jesus. Na tradição judaica é importante dois testemunhos para um contrato ser válido, neste caso temos Moisés, a Torah  e Elias, o profeta(s) e aquele que viria antes da vinda do Messias, ambos aqui testemunham Jesus em sua glória com veste “branca e brilhante” como ele aparece. Um lugar alto está presente no contexto: “ subiu à montanha para rezar”; esta cena já esta presente nas Escrituras como alusão a Moises, o qual subiu ao monte Sinai para rezar e receber a Torah. No final desta passagem, da mesma forma como aconteceu com Moisés[4], que escutou do Senhor para transmitir ao povo, uma voz vinda da nuvem (nuvem significando a Shekinah- presença de Deus), disse “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz!” A pessoa chave aqui não é Moisés mas Jesus, ele é aquele a falar agora. Deveríamos prestar atenção, porém, pois todas essas comparações devem ser vistas como alusões e não como substituições.

Na segunda leitura Paulo exorta a comunidade dos filipenses a guardar a fé no Senhor Jesus pois ele é o Cristo, o Salvador e não os falsos deuses e não devem se comportar como “inimigos da cruz de Cristo”, em outras palavras, não devem agir como empecilho para o plano a salvação.

Neste contexto de Quaresma somos chamados a manter a fé em Jesus e refletir as ações em nossa vida diária. Abramos nossos ouvidos e corações para a voz do Senhor e nossos olhos da fé para ver Jesus glorificado e então como o povo de Israel e os discípulos de Cristo possamos proclamar sem medo em nossas palavras e ações a grandeza de Deus.

[1] Cf. Mt 17: 1- 9, Mc 9: 2- 8
[2] É um ramo principal dentro da Teologia que trata com as “útlimas coisas” Escatologia das palavras  gregas “última” (ἔσχατος – Eschatos) e “estudos” (-λογία- logia).
[3] Cf. Lv 23: 33-44, Dt 16: 13- 17.
[4] Cf. Ex 19: 1- 6.

A Transfiguração - Rafael, Séc. XVI

Fonte: Google Arts & Culture

Este comentário litúrgico foi escrito por
Ir. Tiago R. Cardoso, nds
Jerusalém, Israel

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