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Terceiro Domingo da Quaresma

o Rochedo Espiritual

Ir. Maycon dos Reis Custódio
23 de Março de 2019

Continuamos neste terceiro Domingo da Quaresma o caminho de apelo à conversão que nos levará diretamente ao Mistério Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor. A liturgia da Palavra nos ajuda a entender bem este caminho proposto por Deus e que trilhamos comunitariamente.

A primeira leitura nos apresenta a figura de Moisés e seu encontro com o Deus Vivo e Verdadeiro. Moisés encontra-se com o Mistério de um Deus próximo e presente na vida do Povo. O próprio nome de Deus faz-nos entender sua presença: “Eu sou aquele que Sou”, ou seja, o Deus da Escritura é um Deus presente. Sua presença não se dá de maneira imaginativa, obscura ou fruto da consciência piedosa das pessoas. Sua presença é real.

O Salmo 139 canta a maravilhosa presença divina na vida dos seres humanos: “Tu conheces de longe meus pensamentos…”. Deus se revela a Moisés, mas seu desejo é dar-Se a conhecer a todo o Povo. E a maneira como Deus se revela, como quer ser conhecido, e como Ele nos ama é objetiva, real, tangível:

“Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. Desci para libertá-los das mãos dos Egípcios e fazê-los sair daquele país…”.

 Deus viu e ouviu o clamor do povo; Deus conhece seus sofrimentos; Ele desceu para libertá-los e os fez sair desta situação de morte. Apenas este versículo bíblico aplica cinco verbos para demonstrar a ação de Deus, que não fica impassível diante dos sofrimentos humanos, mas age em favor deles. Esta ação de Deus tem muito a nos dizer, ainda mais num tempo em que, em nome da vida privada, caminhamos rumo um reino de individualismos, apatia, falta de compaixão para com o próximo e para conosco mesmo; e, por fim, chegamos ao ponto de “deletar” as pessoas.

Num reino destes, onde o ser humano vai perdendo seu espaço, o próprio Deus já não está presente. Vemos assim o contraste entre um Deus presente na história humana e uma humanidade cada vez mais ausente de si mesma e de Deus.

No entanto, a Liturgia traz um convite de Jesus: conversão! Para fugir do fatalismo da História existe um único caminho: aquele de Deus, que nos chama a fazer parte de seu reino. O próprio Jesus, no entanto, indica que a conversão é uma opção e deve ser constante. Como a figueira que recebe do agricultor todas as coisas necessárias para dar bons frutos, assim também somos nós: recebemos de Deus a força e a graça para enfrentarmos o caminho de nossa vida e superarmos nossas limitações. No entanto, precisamos dar passos, fazer nossa parte, responder com atitudes concretas ao chamado de Deus.

A conversão é urgente. O Evangelho nos mostra isso ao apresentar uma profanação cometida por Pilatos e um acidente ocorrido em Jerusalém. Eles “eram mais pecadores?”, perguntou Jesus. “Eu vos digo que não!” Mas é necessário refletir e se colocar no caminho de conversão para não deixar morrer o coração diante de Deus.

Mas, como seguir este caminho de conversão? São Paulo nos ajuda neste ponto. Fazendo alusão ao povo de Israel, que fez a caminhada no deserto, que teve sua fome  e sede saciadas, o Apóstolo nos diz que “todos beberam da mesma bebida espiritual e bebiam de um rochedo espiritual que os acompanhava – e este rochedo era Cristo”.

Ora, é a Cristo que devemos nos dirigir para seguir um completo caminho de conversão. É por meio Dele que conhecemos verdadeiramente a Deus e Sua Vontade. É Cristo a Palavra viva de Deus. Ele é o alimento espiritual que nos sacia e fortalece através da sua Palavra e da Eucaristia.

Neste tempo quaresmal somos chamados, de maneira mais intensa, a procurar o rosto de Deus através do seguimento de Jesus Cristo. A oração da Coleta da Missa de hoje resume bem o propósito deste tempo quaresmal. Num primeiro momento diz sobre Deus: Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade; em seguida nos diz como aproveitar desta mesma bondade e misericórdia, dizendo: Vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado; e conclui pedindo ao Senhor: acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia.

O salmo responsorial desta Missa nos indica o claro desejo de Deus em perdoar-nos, em ajudar-nos a trilhar um caminho de conversão e de abertura para Deus e para os outros. Portanto, neste tempo quaresmal, animados com a força da Eucaristia que recebemos, aproveitemos a graça de Deus e  corramos ao Senhor. Ouçamos o conselho do Eclesiástico:

“Não demores em voltar para o Senhor e não adies de um dia para o outro, porque, de repente, a cólera do Senhor virá e no dia do castigo perecerás” (Eclo 5,7).

Landscape with Moses and the Burning Bush - Domenichino, 1610–16

Fonte: Google Arts & Culture

Este comentário litúrgico foi escrito por
Ir. Maycon dos Reis Custódio, nds
Religioso de Sion
Jerusalém, Israel

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Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
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