Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on whatsapp

Quinto Domingo do Tempo Pascal

A Dor Faz o Vencedor

e quando abandonamos o Senhor, a desgraça é garantida

Ir. Cristóvão Oliveira Silva. nds

Depois que Judas saiu do cenáculo…

Judas abandona o Senhor. Não quer mais estar com Ele. Chegou à conclusão, em seu coração, de que certamente existem coisas mais importantes na vida do que aquele papinho de Jesus sobre conversão, amor ao próximo e, o que deve ter-lhe parecido mais estranho, de entrega total de si mesmo ao Senhor. “Esse cara perdeu a noção da realidade; deve ser maluco mesmo como dizem certos fariseus; o melhor a fazer é ir procurar meu próprio interesse” — podemos ouvir de longe o eco de seus ímpios pensamentos.

Há uma passagem do Antigo Testamento que ilustra bem esse “abandonar o Senhor”, esse “sair” da presença de Deus para ir vagar nas “trevas exteriores” (Mt 8, 12).

Trata-se de Caim, que mata seu irmão Abel, não se arrepende de seu crime, responde a Deus de forma desrespeitosa e derrama sobre Ele mil acusações, e como consequência de sua escolha, tem de vagar longe da presença do Senhor:

Quando a cultivares, ela te negará os seus frutos. E tu serás peregrino e errante sobre a terra”. Caim disse ao Senhor: “Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar. Eis que me expulsais agora deste lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa face, tornando-me um peregrino errante sobre a terra. O primeiro que me encontrar, vai matar-me”. E o Senhor respondeu-lhe: “Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes”. Então, o Se­nhor pôs em Caim um sinal para que, se alguém o encontrasse, não o matasse. Caim retirou-se da presença do Senhor, e foi habitar na região de Nod, ao oriente do Éden. (Gn 4, 13-16)

Como Caim, Judas “retirou-se da presença do Senhor”. No caso de ambos, essa retirada já se havia dado muito tempo antes. E os pecados mortais que eles vieram a cometer foram uma consequência do pecado anterior pelo qual abandonaram o Senhor.

Nossa vida em Cristo é uma vida que se vive na presença do Senhor. Todo o esforço de nossa devoção, ou espiritualidade, tem o objetivo de nos fazer entrar e permanecer na presença d’Ele que nos ama. Ele mesmo nos conclama a tanto: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15, 4). Nós permanecemos no Senhor sobretudo pelo mistério da oração e nossa vida na Igreja, que é o templo do Espírito Santo.

Não sigamos, pois, pela senda de Caim e Judas. Não abandonemos a oração, a devoção, o arrependimento. Os demais apóstolos, como Pedro, também eram pecadores; mas acabaram vencendo porque não abandonaram Jesus. Abandonemos o pecado, mas permaneçamos no Senhor.

É necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações. (Atos 14, 22)

Eu me lembro de ter lido em um livro, ou terá sido um vídeo?, cujo título eu não me lembro, tampouco do autor, e vocês vão-me perdoar esta imprecisão, a respeito do segredo de sucesso de um grande jogador de futebol americano. Esse jogador, logo no início da partida, buscava, em primeiro lugar, se jogar em frente do jogador adversário mais forte e violento, de modo a receber o mais rápido possível uma pancada bem forte. Depois da queda, causada pela pancada, ele se levantava e jogava com toda a garra, porque o medo, depois da trombada, desaparecia. E por causa disso, ele sempre ganhava as partidas.

O moto da moda de muitos atletas da musculação é “no pain no gain” — uma expressão inglesa que significa “sem dor não há ganho”. Se quiséssemos preservar a rima, poderíamos dizer: “sofrer para vencer”.

Essa é uma lógica da vida, uma lei da existência que não pode ser mudada. O Antigo Testamento faz referência a isso quando diz, em Gênesis, por exemplo: “Tirarás dela [da terra] com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida” (Gn 3: 17).

Com o Reino de Deus acontece a mesma coisa. É preciso ter coragem para negar-se a si mesmo, para lutar contra nossas tendências pecaminosas, para aceitar com paz as humilhações, para buscar em primeiro lugar, a despeito de todas as oposições e resitências, o reino de Deus e sua justiça (Mt 6, 33).

“Nisso todos conhe­cerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35).

Ninguém teceu um comentário mais perfeito sobre o amor evangélico do que o apóstolo São Paulo:

O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Cor 13, 7).

Compartilhe com seus amigos

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on whatsapp

Congregação dos Religiosos de Nossa Senhora de Sion
portal[arroba]sion.org.br